ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/11/2019
No mito da caverna, homens presos, desde o nascimento, em uma morada subterrânea, são privados do contato com o mundo externo. A realidade experimentada por eles fundamenta-se unicamente em sons e sombras que adentram o ambiente em que se encontram. Assim, constroem um conhecimento limitado pelas barreiras físicas impostas. Esse cenário, atualmente, faz-se presente na exclusão de parte da população brasileira do acesso ao cinema, impossibilitando que a arte agregue conhecimento e seja útil no processo de formação crítica e desenvolvimento social.
O Brasil, por caracterizar-se como um país de dimensões continentais, dificulta o acesso de certos serviços à toda população, como o cinema. O Estado, que na teoria seria o responsável pela democratização, na prática, demonstra-se ineficiente na árdua tarefa de possibilitar que essa barreira física não isole e encarcere a formação intelectual do povo. Ademais, soma-se a tal quadro, o desinteresse da indústria cinematográfica em instalar cinemas em regiões remotas, com baixo número de habitantes. O neoliberalismo, nesse caso, por pautar-se no lucro como objetivo final, relega a importância social da arte, focando-se unicamente no interesse pecuniário.
Dessa forma, ao ignorar os benefícios auferidos graças ao contato com a sétima arte, a população torna-se desigual perante um Estado em que a isonomia deveria reger a vida da sociedade. Assim, o progresso, que segundo o filósofo George Santayana, resulta do acúmulo de experiências remotas, é prejudicado pela ineficiência do governo. A formação crítica e o desenvolvimento social, fundamentais para a evolução do ser humano, ao não serem estimulados, possibilitam que falsos cenários de liberdade instaurem-se, suscitando ditaduras, como a da Venezuela, em que o governo vigente controla a população como fantoches, moldando o modo de pensar e agir, conforme a necessidade do governante.
Dessarte, para que a sociedade brasileira consiga se libertar dos grilhões e deixar a caverna, experimentando a realidade em sua totalidade, o Estado, como promotor do bem-estar social, deve criar cinemas móveis, em carretas de caminhões, que consigam viajar pelo país, instalando-se em locais desassistidos pela indústria cinematográfica, para que populações isoladas possam obter o acesso a essa arte que possui como papel o lazer e, principalmente, a evolução social. Além disso, a Escola, como transformadora da realidade, deve atuar promovendo sessões de cinema em praças públicas, em que alunos da graduação de artes cênicas atuem explicando a importância da arte na sociedade, a fim de evitar o surgimento de falsos cenários de liberdade. Somente dessa forma, o progresso, proposto por Santayana, será alcançado.