ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 14/11/2019
No período conhecido como “Era Vargas”, os recursos midiáticos eram utilizados para a elaboração de propagandas que enalteciam o Brasil em sua cultura, em seu povo e em suas riquezas, e consequentemente, a atmosfera ufanista criada com isso enaltecia o governo getulista. Em decorrência disso, os altos financiamentos nesse setor fizeram com que o cinema, em especial, ganhasse forca e popularidade por todo o país, no entanto, desde os anos finais do século XX ocorre um processo de concentração do acesso ao cinema voltado aos grandes centros urbanos, o qual é danoso ao direito de acesso à cultura no Brasil. Dentre tantos problemas destacam-se a força do capital financeiro e a omissão governamental.
Em primeira análise é necessário destacar que em uma sociedade capitalista será, na maioria dos casos, o capital que comandará as ações e onde haverá investimentos. De acordo com o filósofo Karl Mar, a sociedade a qual é regida pelo sistema capitalista deixará de lado, por consequência, as questões sociais, fenômeno esse exemplificado na democratização do acesso ao cinema que é deficitário no país devido ao fato dos cinemas pertencerem a empresas de capital privado que só investem em locais de maior rentabilidade e lucro como os grandes centros populacionais. Com isso, o acesso ao cinema se torna excludente, pois negligencia os muitos locais de menor aporte financeiro e populacional espalhados pelo Brasil, impedindo as populações locais de ter acesso a esse bem.
Em segundo plano, vale ressaltar a inércia governamental no que tange o acesso ao cinema no Brasil. Tal fato demonstra que o Governo Federal se omiti ao não se fazer cumprir a Constituição Cidadã, a qual prevê que o acesso à cultura é um direito de todo cidadão brasileiro. Como consequência da falta de empatia do Poder Público, muitos brasileiros são impedidos de ter acesso a bens culturais como as obras cinematográficas, que além de servirem de entretenimento são um meio de inclusão no que diz respeito ao aumento do conhecimento e do vocabulário cultural, sendo sua ausência um meio de alienação.
Urge, portanto, a necessidade da ampliação da democratização do acesso ao cinema no Brasil. Com isso, é necessário que o Ministério da Cultura, que é o órgão responsável pelo fomento da cultura no país, por meio de parcerias público privadas, crie festivais de cinema em regiões que tem o acesso a esse bem cultural limitado com o objetivo de levar a cultura cinematográfica para as diversas regiões do país, contornando assim, a lógica excludente do sistema capitalista e fazendo valer a Constituição Federal. Sendo assim, será possível a construção de uma sociedade mais justa e igualitária no que tange ao acesso ao cinema.