ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/11/2019

Na Antiguidade Romana, a política do “Pão-e-Circo” era responsável por entreter a população para fins de tentar mascarar as mazelas encontradas no cotidiano da pólis. Todavia, hodiernamente o entretenimento, na figura do cinema, assume um papel determinante na democratização do acesso aos meios culturais no Brasil. Com efeito, a inoperância estatal na promoção de do acesso à esfera cinematográfica e a omissão social quanto à busca dessa arte configuram-se como entraves para a ampla difusão desse artifício.

Em primeira análise, nota-se o descaso do Poder Público no que tange ao fomento da infraestrutura do cinema nacional. Segundo a óptica filosófica de São Tomás de Aquino, todos os cidadão são iguais em direitos e dignos da mesma importância. Contudo, a prática deturpa a teoria, visto que a máquina brasileira carece de de investimentos para a ampliação das salas de cinema em regiões carentes desses meios culturais. Em decorrência disso, observa-se a exclusão da população pobre dos aparatos de integração cultural, fato que contrapõe-se aos dizeres da Carta Magna de 1988, a qual garante livre acesso à cultura e ao lazer.

De outra parte, percebe-se a postura indiferente da parcela financeiramente estável no que se refere ao usufruto da esfera cinematográfica. De acordo com o sociólogo francês Pierre Bourdieu, em sua Teoria do Habitus, o corpo social possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzidos. Sob esse viés, depreende-se que a coletividade, ao longo do tempo, foi exposta a uma “cultura do ócio”, a qual condicionou os indivíduos à inércia da procura por essa arte, o que leva a uma baixa interação entre a população no debate público das temáticas dos filmes. Desse modo, é imperativo a alteração dessa “padronização” proposta por Bourdieu.

Nesse cenário, portanto, é vital a modificação do quadro de desassistência do cinema no Brasil. Para tanto, o Tribunal de Contas da União deve elevar o quantitativo de verbas, que por intermédio do Ministério da Cultura, serão revertidas na implantação em todo território nacional de salas de cinema gratuitas, para a exibição semanal de filmes nacionais e mundias, no intuito de atender as demandas culturais da população, a fim de garantir o que é previsto em Lei. Ao mesmo tempo, cabe às Prefeituras, aliadas às ONGs, a realização de debates e mesas-redondas nas escolas, com vitas a informar acerca da importância da busca desse meio cultural. Assim, o legado Romano ficaria restrito ao passado.