ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 12/11/2019
O cinema na contemporaneidade vem assumindo rumos semelhantes aos discutidos nas obras da Escola de Frankfurt, especialmente aos retratados na tese da Indústria Cultural, de Theodor Adorno. O frankfurtiano acredita que o cidadão atual vive a “ilusão da escolha”, já que é o mercado quem dita quais produtos serão exibidos nas salas de cinema, assim, cria-se uma “massificação do cinema”, que acaba por dificultar a democratização desse elemento no páis, criando diversos problemas em decorrência disso.
Em primeira análise, há de se ressaltar o recente aumento no número de obras focando o maior público possível, sem se preocupar com a passagem de uma visão crítica, que impacte e que faça o público deixando o local pensativo. Nesse aspecto, vale ressaltar a polêmica crítica do consagrado diretor Martin Scorsese aos atuais filmes de super-heróis, que dominam as salas de cinema no Brasil, descrevendo-os como obras que não remodelam a maneira de pensar daquele que assiste, sendo muito pouco significantes intelectualmente, e de acordo com a máxima socrática “a ignorância é o único mal”.
Por consequência, um problema estrutural acaba por atingir o território brasileiro. Quando medidas não são tomadas visando reverter o quadro de “monopólio” do cinema advindo de grandes estúdios que somente apresentam filmes visando o acúmulo do capital, acaba-se então criando um ambiente de exclusão, que dificulta o acesso a obras de novos diretores que podem diversificar o conteúdo abordado nos filmes. Nesse ponto pode se citar o evento discutido na mídia quando diretores brasileiros criticaram os cinemas brasileiros por reservarem todas as suas salas à exibição do campeão de bilheterias “Vingadores: Ultimato”, prejudicando o acesso a outras obras, inclusive do cinema nacional. Portanto, evidencia-se a necessidade de intervenção que promova o ajuste ao acesso democrático nos cinemas do país. O Governo Federal deve financiar projetos que promovam a diversificação das obras nacionais, auxiliando diretores brasileiros, especialmente aqueles que inovem a perspectiva das obras atualmente “massificadas”, com a finalidade de se trazer uma variedade de filmes que apresentem uma visão crítica ao povo brasileiro, fundamental para o desenvolvimento de uma nação diversificada e de senso crítico elevado.