ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/11/2019

O sociólogo Émile Durkheim compara a sociedade a um organismo biológico, cuja parte em disfunção ocasiona o colapso do sistema inteiro. Tal afirmativa reflete a inexistente democratização do acesso ao cinema no Brasil, que contraria a Constituição Federal brasileira, a qual promete erradicar as desigualdades sociais. Ademais, a qualidade decadente desses lugares contribui para a falta de interesse da população em frequentá-los, freando o desenvolvimento da nação.

A princípio, é imprescindível destacar que desde a Revolução Industrial e a ascensão do capitalismo, segundo o sociólogo Karl Marx, o mundo tem priorizado, demasiadamente, lucros em detrimento de valores humanos essenciais. Nesse sentido, os cinemas foram construídos nos centros das cidades, onde há maior movimentação de pessoas a capital financeiro. No entanto, isso gerou uma segregação sociocultural e espacial enorme, devido a dificuldade de acesso a esse meio de lazer e cultura pelas pessoas que moram nas periferias, pois além do cinema não ser público, sua localização distante faz com que muitos não consigam ir por não possuírem meios de transporte.

Outrossim, é notório que a arte cinematográfica é essencial para a difusão de conhecimento pois, como proferido pelo filósofo Arthur Schopenhauer: “O homem considera os limites de seu campo de visão como os limites do mundo”. Nesse contexto, o filme, por apresentar diferentes realidades, locais e situações, amplia a percepção de mundo dos indivíduos. Entretanto, a escassez da qualidade dos cinemas, como o desconforto das cadeiras e as imagens em baixa resolução, é um empecilho para sua frequentação. Além disso, a falta de concorrência com outros nas cidades faz com que esses problemas persistam.

Sob esse viés, para que o organismo proposto por Durkheim funcione adequadamente, é fulcral que o Estado ofereça cinemas públicos acessíveis, tornando obrigatória a instalação de pelo menos um em áreas afastadas dos grandes centros e fornecendo transporte público gratuito para esses lugares, a fim de que todos possam frequentá-los. Junto a isso, os Governos Municipais devem garantir a qualidade dos cinemas por meio da proibição de apenas um por cidade e pela fiscalização dos mesmos, para que a concorrência garanta a melhoria dessas estruturas. Se tais providências forem tomadas, essa realidade antidemocrática será apenas memória de um passado disforme e superado.