ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/11/2019
Júlio Verne, escritor francês do século XIX, é considerado por muitos o pai da ficção científica, devido as suas grandes obras de exaltação a inovações tecnológicas, como em “Vinte Mil Léguas Submarinas”. Talvez, caso o artista pudesse visitar uma sala de cinema no ano de 2019, ele sentiria-se admirado ao ver a possibilidade de reprodução da vida, de maneira tão realista, em uma grande tela. Entretanto, essa admiração seria limitada pelo fato de o acesso a esse espaço cultural ainda não ser democrático. Sob essa perspectiva, cabe analisar o contexto de oligopólios e o cenário de “Indústria de Cultural” como dificultadores do acesso universal às salas de cinema no Brasil.
Em primeiro plano, é válido ressaltar que o domínio do setor de exibições cinematográficas por poucas empresas contribui para a manutenção de altos preços. Essa ideia pode ser corroborada por meio do pensamento de Adam Smith, o qual evidencia que, quanto mais intensa for a livre concorrência entre diferentes empresas, mais o consumidor ganha em redução de preços. Dessa forma, pode-se atribuir os altos valores cobrados nas entradas de salas de cinema ao controle desse setor por poucas empresas, como o “Kinoplex”, característica a qual exclui camadas menos abastadas desses ambientes.
Em segundo plano, convém discorrer sobre a prevalência de produções cinematográficas visando apenas ao consumo em larga escala. Essa lógica de produção cultural, tão abordada por Adorno e Horkheimer no conceito de “Indústria Cultural”, é evidenciada tanto na concentração de cinemas em áreas densamente populosas, quanto no foco dado à exibição de filmes essencialmente lúdicos, como o gênero de ação norte-americano. Desse modo, as salas de cinema tornam-se um espaço distante de populações residentes em áreas mais afastadas de grandes núcleos urbanos e distante de temáticas mais críticas.
Portanto, fica claro que o pequeno número de empresas concorrentes e a exacerbada lógica de mercado estabelecem limites para o acesso universal ao cinema no Brasil. A fim de atuar sobre essa problemática, o Ministério da Cidadania tem o papel de estimular a entrada de mais empresas no setor e sua expansão para novas áreas. Isso deve ser feito por meio de incentivos fiscais a novas empresas de exibição cinematográfica, como descontos tributários. Ademais, esses descontos podem ser maiores àquelas que invistam na construção de cinemas em locais mais afastados. Assim, será estimulada uma maior concorrência entre a iniciativa privada, gerando menores valores, e será possibilitado o maior alcance dessa tecnologia, elemento tão exaltado por Júlio Verne.