ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/11/2019

O “Pai da economia moderna” Adam Smith criou a teoria da “mão invisível”, através da qual o mercado prescinde da intervenção do Estado. Certamente, na sua fórmula não considerou que o capital só atua onde há retorno financeiro. Hodiernamente, no Brasil, com relação aos cinemas, esse fato fica evidenciado pela restrição das salas de espetáculos às cidades e locais em que o público tem maior poder aquisitivo. Dessa forma, fica claro a exclusão de grande parcela da população deste tipo de lazer, motivado principalmente pela mercantilização e não atendimento ao preceito constitucional do direito a cultura.

Inicialmente, é indubitável que o cinema constitui-se em um produto mercantil. Para o filósofo Karl Marx, a mercadoria se configura pelo valor de uso e pelo valor de troca. Nesse contexto, as grandes empresas de distribuição de filmes, não percebendo o valor de troca nas periferias e pequenas cidades, excluem esse extrato da população do acesso ao cinema. Dessa forma, é demonstrado, no caso em questão, que a invisibilidade vincula-se aos excluídos.

Ademais, o direito a cultura estabelecido na Constituição Federal não está materializado de fato. De acordo com o jornalista Gilberto Dimenstein, “cidadão de papel” é aquele que tem seu direito só no papel é não usufruí na realidade. Certamente, os cidadãos em situações mais vulneráveis não são abarcados por esse preceito constitucional. Como exemplo, vale cultura não se universalizou e acabou se restringindo a um pequeno número de beneficiados.

Urge, portanto, que a “mão visível” da Constituição seja aplicada de fato. Para isso, que o Ministério da Educação e Cultura – MEC em conjunto com as federações de empresas criem um modelo de vale cultura, que seja financiado com o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT, levando em consideração a redução nos valores dos ingressos, de acordo com os dias e horários de menor lotação das salas de espetáculos, dessa forma democratizar o acesso ao cinema. Paralelamente, que o MEC em conjunto com as Prefeituras construam salas de cinemas nas cidades de menor poder econômico e patrocinem uma grade de programação mensal dessa forma universalizar esse entretenimento cultural.