ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/11/2019

Durante a perseguição napoleônica no início do século XIX, houve imigração da corte portuguesa no Rio de Janeiro do Brasil Colônia. Essa ocupação dos colonizadores levou ao aumento das construções nobres de lazer, como os museus, parques e teatros. Porém, essa mudança levou à exclusão das populações antes estabelecidas naquele local, devido à baixa classe social que pertenciam. Embora o país não seja mais uma colônia, o acesso ao cinema se encontra num quadro desigual. Todavia, cabe analisar os fatores como a má distribuição desta e a falta de acessibilidade.

Convém ressaltar, a princípio, sobre a concentração das empresas exibidoras nas regiões urbanas com alta renda. Nesse sentido, é inegável que a não inserção dos cidadãos de baixa renda se torna mais evidente, uma vez que os valores dos ingressos são altos em comparação dos seus salários. Ainda assim, os mesmos colocam em risco as suas situações econômicas, buscando usufruir dos direitos de aquisição. Além disso, aqueles que não frequentam cinema são mais suscetíveis à violência simbólica, segundo sociólogo Pierre Bourdieu, através da dominação feita por indivíduos que possuem um maior capital cultural, nesse caso, de acesso a esse tipo de lazer.

Ademais, é importante salientar sobre a falta de acessibilidade e a saída viável para o consumo da televisão. Isto se deve pela falta de investimento das infraestruturas, com destaque nas regiões Norte e Nordeste e cidades do interior. Consequentemente, essa controvérsia incentiva no agravamento das piratarias ilegais de mídia cinematográfica, vendidas geralmente por preços baixíssimos ou extraídos no computador e celular por um simples “download” na internet. Estas, por sua vez, são reproduzidas nas televisões, substituindo o cinema em lazer residencial e de poucos gastos.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes. Portanto, por meio de verbas destinadas pelo Governo, urge que o Ministério da Cidadania promova um maior investimento para uma distribuição eficaz do cinema no território nacional, com objetivo de amenizar a exclusão social e garantir o acesso para populações desfavorecidas. Em seguida, cabe às empresas exibidoras implantarem maiores descontos e promoções em troca de incentivos fiscais, a fim de diminuir a compra de piratarias e facilitar o acesso das pessoas de baixa renda.