ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/11/2019

No limiar do século xx, com o escopo de atender as demandas comerciais da época, iniciou-se, na Inglaterra, um movimento denominado Revolução Industrial e como consequência tivemos um significativo êxodo rural, o qual, motivado pelas novas oportunidades de emprego, deu início ao processo de expansão das cidades. Em decorrência desse fato e consoante ao desenvolvimento tecnológico, apresentou-se como uma forma de entretenimento para as cidades o cinema. Porém, em função de seu elevado custo, a majoritária parcela da população economicamente desfavorecida ficou reclusa desse lazer e por isso compete ao Estado, em observância ao artigo 5 de nossa Constituição, prover esse direito democratizando a indústria cinematográfica. Em primeiro plano, convém esclarecer que o cinema constitui um elemento cultural e por isso pode se tornar símbolo de uma determinada população. Além disso torna-se um mecanismo de críticas sociais desempenhado por indivíduos para com a sociedade e até mesmo o governo. À exemplo das situações supracitadas, tivemos o filme Tropa de Elite que representou o Brasil internacionalmente e efetuou críticas à um dos pilares institucionais: a polícia. Dessa forma, democratizar o cinema estimularia reflexões sociais que abrangessem um maior contingente populacional e com isso poderíamos denunciar gradativamente as mazelas sociais ocorridas em nosso tecido social. Outrossim, é imperioso destacar que frente ao conteúdo educacional escrito, a linguagem oral utilizada pelo setor audiovisual é de maior difusão e aceitação social e por isso constitui um eficaz mecanismo de propagação cultural em uma sociedade composta significativamente por analfabetos como é o caso de nossa população brasileira. À luz dessa recorrente estratégia persuasiva, o Estado pode garantir o acesso à cultura e educação previsto em nossa Constituição garantindo o acesso ao cinema para regiões carentes de desenvolvimento tecnológico e desamparadas economicamente como é o caso das regiões Norte e Nordeste e as periferias respectivamente. Para tanto, cabe ao Estado, por intermédio do Ministério da Cultura, estabelecer associações com as secretarias de municípios e regiões desamparadas de tecnologia a fim de proporcionar para as comunidades acesso ao cinema garantindo-lhes a exibição mensal e gratuita de clássicos em instituições de ordem pública como por exemplo teatros. Além disso, visando atender as populações desfavorecidas economicamente o Estado poderia subsidiar salas de cinema e prover ingressos à custos mais baixos. Dessa forma, a democratização do acesso ao cinema no Brasil seria efetivada e uma substancial carga cultural seria difundida em nosso território.