ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 14/11/2019

De acordo com a Constituição brasileira de 1988, é dever do Estado fomentar que todos os estratos sociais do país tenham o direito ao lazer, bem como à cultura. Contudo, é notável que essas premissas não são efetivadas. Nesse sentido, no que tange à questão da democratização do acesso ao cinema no Brasil, percebe-se a configuração de um grave problema, em virtude da falta de políticas públicas e das dificuldades enfrentadas nas cidades brasileiras. Diante disso, é preciso conhecer os diversos estigmas desse dilema, na propensão de solucioná-lo.

Em uma primeira análise, a problemática é intrinsecamente fomentada pela ausência de políticas públicas. Apesar de estudantes e idosos disporem de gratuidade ou pagamento de apenas metade do ingresso nas redes de cinema do território nacional, a falta de assistência ao resto da população corrobora com a impossibilidade dela em presenciar às sessões cinemáticas. Associado a isso, o índice GINI, que avalia anualmente a desigualdade social de diversos países ao redor do globo, revelou que o Brasil é o 8° país mais desigual do mundo, em 2019, o que demonstra a tendência quase nula de grande parte da comunidade ter os meios necessários para acessar o cinema. Nessa perspectiva, se - segundo Aristóteles - a política tem como função fomentar a igualdade de oportunidades em uma sociedade, é evidente salientar que a ausência dela acaba segregando os indivíduos e, consequentemente, afastando-os dos cinemas, resultando em salas vazias.

Ademais, em um segundo plano, as dificuldades enfrentadas nas cidades brasileiras são intensos mecanismos desse impasse. Com a vida urbana cada vez mais dinâmica, conturbada e cara, torna-se difícil para os cidadãos se deslocarem de suas casas até os cinemas. Além disso, a falta de segurança pública vivida no país tende a amedrontá-los e, sem incentivo estatal que torne o cinema atratível, eles acabam distanciados desse ambiente. Assim, parafraseando Pierre Bourdieu, esse cenário tende a transformar o que foi criado para ser mecanismo de democracia em instrumento de opressão, pois cerceia os direitos individuais e, inclusive, fomenta a dificuldade do empresariado em manter as redes cinemáticas funcionando na nação.

Portanto, a falta de políticas públicas e as dificuldades enfrentadas nas cidades brasileiras são importantes vetores da problemática. Destarte, faz-se necessário que o Estado, através das câmaras legislativas, realize a criação de leis que assegurem o acesso da população ao cinema. Por meio de discussões, projetos de lei que barateiem os custos da população em frequentar os cinemas devem ser aprovados e postos em vigor o quanto antes, para que o acesso ao cinema, no Brasil, seja democratizado.