ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 14/11/2019
Na Grécia Antiga, uma das principais formas de contar histórias era por meio do teatro, com as chamadas tragédias ocupando boa parte das cenas que integravam essa forma de lazer. Na atualidade, o Cinema ganhou grande relevância e se tornou um dos mais conhecidos meios de mostrar uma narrativa, inclusive no Brasil. No entanto, ainda há entraves no país em relação à democratização do acesso ao cinema. Nesse contexto, fatores socioeconômicos se configuram como um fator relevante para tornar essa forma de entretenimento inacessível a boa parte da população, bem como a falta de medidas governamentais eficientes no que tange à problemática.
A priori, é notório como o poder aquisitivo de um grupo determina seu acesso ou não ao cinema. Isso porque, em um país capitalista, são poucos ou ausentes os cinemas públicos, com as empresas privadas da área no domínio do número de salas cinematográficas do país. Assim, quem não possui recursos econômicos fica excluído desse tipo de entretenimento. Tal conclusão ganha respaldo com base nos estudos do sociólogo francês Pierre Bourdieu, ao apontarem que o capital econômico está intimamente ligado ao capital cultural, sendo que o conjunto de valores e informações disponíveis para o indivíduo é determinado por sua posição social. Dessa maneira, em uma nação com alta concentração de renda, muitos ficam excluídos do acesso à cultura por não possuírem recursos.
Além disso, a ineficiência estatal em buscar soluções para o cenário intensifica o problema. Decerto, como apontou Rousseau, a função do Estado é atender as necessidades do povo. Com efeito, a Constituição Federal de 1988 aponta que o acesso à cultura é direito de todos os cidadãos. No entanto, não se percebe a presença de mecanismos eficientes para garantir o acesso da população mais pobre às salas cinematográficas, como a concessão de gratuidade de modo abrangente e o incentivo à implantação de cinemas em áreas desassistidas. Dessa forma, a democratização do acesso a essa forma de lazer não se concretiza no país, sobretudo, pela falta de programas públicos eficientes.
Conclui-se, portanto, que fatores socioeconômicos e a falta de políticas públicas eficientes contribuem para o cenário. Então, cabe ao Ministério da Cidadania a criação de um programa de isenção de taxa de ingresso ao cinema às famílias de baixa renda que abranja todos os membros familiares, a fim de facilitar o acesso de pessoas carentes aos filmes cinematográficos. Isso será feito por meio da mobilização de recursos do Governo para custear os ingressos, bem como pela criação de postos de atendimento para a comprovação de renda junto às Prefeituras Municipais. Também, o Governo deve incentivar a implantação de cinemas em locais periféricos. Espera-se, assim, garantir o acesso de todos os brasileiros a essa modalidade moderna de entretenimento.