ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 16/11/2019
Redistribuição da sétima arte
A expressividade artística contemporânea, por meio do cinema e da fotografia, fez-se bastante presente durante o século XX. Com essa presença, possibilitou-se a ampliação dos meios de acesso à cultura pela população brasileira. Todavia, no século XXI, o alcance da produção cinematográfica restringiu-se, por motivos dos quais destacam-se a concentração de salas de exibição nos grandes centros e a escassez de estímulo social à busca por esse tipo de manifestação cultural. Assim, mostra-se necessário discorrer sobre a democratização do acesso ao cinema no Brasil.
A priori, é válido destacar a distribuição das salas de cinema pelo país como elemento de segregação. Por esse viés, a concentração dessas salas nos grandes centros urbanos prejudica - ou até impede - o acesso ao conteúdo cinematográfico por habitantes de cidades interioranas e das periferias dos grandes centros. Nesse contexto, insere-se a teoria do famigerado pensador Jean Paul Sartre, de acordo com a qual a existência precede a essência. Essa teoria insere-se na questão apresentada na medida em que a desigualdade espacial brasileira em relação ao acesso ao cinema, comprovada por pesquisas da Agência Nacional do Cinema (Ancine), culmina na formação de essências culturais, no que tange ao conhecimento de mundo, dispares no país. Desse modo, fica evidente a importância da democratização do acesso ao cinema para a plena formação cultural dos cidadãos.
Outrossim, a desigualdade espacial na distribuição das salas de cinema é acrescida da escassez de estímulo social à busca pela cultura relativa à sétima arte. Conforme teorizado por Émile Durkheim, exímio sociólogo francês, a sociedade é coerciva e influenciadora dos indivíduos. Nesse sentido, a falta do estímulo supracitado ocasiona a alienação de grande parte da população brasileira. Destarte, ressalta-se a necessidade de ações com a função de influenciar a busca por conteúdos cinematográficos.
Portanto, é imprescindível que o Governo Federal realize, com base nas pesquisas realizadas pela Ancine, a redistribuição espacial progressiva das salas de exibição cinematográfica pelo território brasileiro, com o objetivo de ampliar o acesso a esse conteúdo para a formação plena da essência cultural dos cidadãos, em concordância com a teoria de Sartre. Ademais, urge que o Ministério da Educação (MEC) promova, através de palestras, debates e campanhas publicitárias na mídia nacional, maior interesse da população pela sétima arte, a fim de reduzir a alienação dos indivíduos no país. Com tais medidas, pautadas na coerção social durkheimiana, o acesso ao cinema no Brasil será, efetivamente, democratizado.