ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 15/11/2019
O filósofo francês Sartre defende que cabe ao ser humano escolher seu modo de agir, pois este seria livre e responsável. No entanto, observa-se a irresponsabilidade da sociedade no que concerne à democratização do acesso ao cinema no Brasil. Nesse sentido, cabe analisar as causas, as consequências e as possíveis soluções para a problemática.
É importante destacar, primeiramente, que o Brasil é um país descentralizado no que tange à distribuição de cinemas. Tal situação foi comprovada em uma pesquisa realizada pela Ancine, em que mostra que as áreas de menor renda no Estado, como cidades do interior, têm menos cinemas em relação as de maior renda, como os grandes centros e capitais. Consequentemente, para o indivíduo ter acesso aos filmes que deseja, ele pode ser estimulado a praticar a pirataria, o que se torna fácil com a internet.
Outro fator relevante, nessa temática, é a negligência do Estado quanto as pessoas carentes, que não podem ter acesso ao cinema, visto que se torna um instrumento exclusivo. Dentro dessa perspectiva, apesar de a Constituição Federal garantir isonomia social a todos, não existem leis, por exemplo, que obriguem empresas que transmitem filmes a ter um tipo de ingresso meia entrada para a população de baixa renda. Essa situação, para John Locke, configura-se como “Violação do Contrato Social”, pois o Estado não está cumprindo com seu dever de ser igualitário a todos.
Infere-se, portanto, que a conjultura é grave e medidas são necessárias para mitigar seus efeitos. Logo, cabe ao Governo Federal, aliado à Ancine, promover, por meio das quadras de escolas municipais, cinemas sociais, para jovens e adultos, com a finalidade de que todos tenham acesso ao cinema. Os ingressos dos cinemas sociais devem ter um preço simbólico, para uma causa maior, como a doação de um quilo de alimento não perecível para Ongs. Assim, vislumbrar-se-á uma sociedade que age de forma livre e responsável, como a que Sartre defende.