ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 17/11/2019

De acordo com o conceito de “Contrato Social”, apresentado pelo filósofo moderno, John Locke, a liberdade é um direito “sine qua non” para o cidadão. Contrapondo tal conceito, constata-se que a liberdade de uma parcela substancial de brasileiros é mitigada em virtude dos problemas que permeiam o acesso ao cinema no Brasil. Nesse viés, nota-se que essa problemática perpetua-se em decorrência de fatores históricos e sociais.

Vale ressaltar, em primeira instância, a relação da dificuldade de acesso ao cinema com fatores do processo de desenvolvimento do Brasil. Desse modo, evidencia-se que, sob o viés histórico, a “política de terras” - proposta por Dom Pedro II - intensificou a desigualdade social social brasileira no século XIX, uma vez que a posse de terras no Brasil era limitada à população com alto perfil econômico. De maneira análoga, observa-se que a concentração de cinemas nas áreas de renda mais alta das grandes cidades ratifica o quadro da disparidade socioeconômica da sociedade hodierna brasileira, haja vista que constrói um ambiente elitista que dificulta o acesso da população de baixa renda a esse ambiente. Dessa forma, torna-se evidente a relação da persistência da problemática com o perfil do período imperial.

Outrossim, fatores do âmbito social permeiam a perpetuação do acesso aos cinemas no Brasil. De acordo com a lógica proposta por Karl Marx, problemas na sociedade são gerados a partir da sobreposição dos anseios da coletividade pela vontade individual. Nota-se, nesse contexto, que o problema supracitado relaciona-se com a lógica marxista. Tal relação decorre do descaso das empresas cinematográficas com a população marginalizada em virtude do lucro individual. Destarte, tendo em vista os elevados preços dos ingressos torna-se notória a reiteração dos empecilhos na democratização do acesso ao cinema.

Depreende-se, portanto, que a atuação estatal é imprescindível para a resolução do problema. A fim de ampliar o acesso da população marginalizada aos cinemas, faz-se imperativa a atuação do Estado - na figura do Poder Legislativo - no fornecimento de cartões, semelhantes às carteirinhas estudantis, que garantam descontos para pessoas de baixa renda. Essa ação efetivar-se-á por meio da criação de leis que promovam a adesão dessa política por cinemas em todo o Brasil. Somente assim, a democratização do acesso aos cinemas, e a liberdade apresentada no “Contrato Social”, de Locke, serão uma realidade da população brasileira.