ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 19/11/2019

De acordo com a teoria da “Cidadania de papel’ do teórico Gilberto Dimenstein, os direitos dos cidadãos brasileiros são apenas previstos na teoria, mas não colocados em prática. Nesse contexto, tanto questões econômicas quanto sociais dificultam o acesso igualitário ao cinema, se opõem ao direito constitucionalmente previsto de cultura. Assim, é notável o impacto da segregação socio-espacial e mínima representação nacional no cinema na manutenção dessa problemática.

Em primeiro plano, é necessário destacar que a localização central das salas de cinema e o alto valor do ingresso se verificam como fatores excludentes, uma vez que boa parte da população é de baixa renda e não reside nas áreas mais nobres. Nesse viés, segundo o sociólogo Pierre Bourdieu, a diferenciação social por critérios econômicos e de moradia se configura como uma forma de dominação e segregação social, impedindo o acesso igualitário da população ao direito a cultura e agravando o quadro de desigualdade social no Brasil. Logo, urge medidas Estatais para para democratizar o acesso ao cinema.

Outrossim, a apresentação de filmes estrangeiros, majoritariamente Norte Americanos, corrobora para a alienação do corpo social, tendo em vista que essas obras apresentam personagens de classe média alta e brancos, diminuindo a importância e valorização da abordagem de temas que retratam a realidade brasileira. No filme “O alto da compadecida, por exemplo, é mostrado os problemas do Nordeste e desafios pelos quais a população do Nordestina tem que passar, dando visibilidade para essa parte do país. Por esse motivo, se faz necessário o aumento do número de filmes e documentários que apresentem a realidade brasileira e possam dar visibilidade a partes e problemas normalmente esquecidos. Assim sendo, é urgente o aumento do incentivo para a criação de obras cinematográficas nacionais.

Portanto, cabe ao Ministério da Cultura agir, por meio da utilização da verba pública, ampliar o número de salas de cinema para as regiões mais isoladas e com menor renda. Ademais, é de responsabilidade do Ministério da Educação, mediante parcerias com empresas privadas, o incentivo na criação de filmes e documentários que representem a pluralidade da cultura brasileira e diferentes realidades do país. Essas ações possuem o objetivo de homogeneizar o acesso ao cinema e cultura, assim como aumentar a visibilidade de todas parcelas sociais, garantindo a conservação da identidade social e cultural nacional. Dessa forma, distanciar-se-á a realidade brasileira daquela apresentada em “Cidadania de papel”.