ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 21/11/2019
No filme biográfico “Dollemat”, o humorista e cantor negro que dá nome ao filme sente a ausência da representatividade negra no cinema americano. Nesse contexto, o protagonista decide criar, e atuar em, um filme com a participação de negros e a inovação de exibir o cotidiano da parcela afrodescendente da população, democratizando o cinema americano. Fora da ficção, a situação é semelhante à observada por Dollemat: devido à falta de estrutura destinada às reproduções cinematográficas, o Estado descumpre o seu papel de proporcionar lazer, visto que não há a democratização do acesso ao cinema no Brasil.
É valido salientar, antes de tudo, que, no Brasil, o número de salas para a exibição cinematográfica é insuficiente. Hodiernamente, o país ocupa a sexagésima posição na relação habitantes por sala, dispondo de apenas 2200 delas. Dessa forma, sabe-se que grande parte da população nacional é vítima dessa condição de não acesso ao cinema, em especial no que diz respeito aos habitantes de pequenos municípios.
Por conseguinte, o Estado não tem cumprido o seu papel de proporcionar lazer. Consoante ao artigo sexto da constituição, é assegurado, dentre outros, o direito de todos ao lazer. Visto que o acesso ao cinema não tem se democratizado, é nítido o descumprimento desse dever do Estado, contribuindo para a condição de desigualdade, tão criticada desde a Revolução Francesa e o Iluminismo, e unanimemente inadmissível.
Percebe-se, portanto, que medidas são necessárias para a resolução do impasse. Sendo assim, a fim de democratizar o acesso ao cinema no Brasil, o Governo, mediante o Ministério da Ciência, Tecnologias, Inovações e Comunicação, por verba concedida pelo Ministério da Fazenda, deve investir na construção de cinemas, os quais se darão, principalmente, nos locais que a população não tem acesso a ele e entitulando o projeto de “Cinema para todos”, porquanto, somente dessa forma, ocorrerá a democratização do acesso ao cinema no Brasil,