ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 22/11/2019

A sétima arte é um dos meios de expressar crítica, a nível global, a algum evento ou situação. Exemplo dessa prática, o filme “Cidade de Deus” revelou ao mundo as mazelas vividas pelos moradores da favela homônima ao filme, situada na cidade do Rio de Janeiro. Ou seja, pessoas de todo o planeta puderam aumentar seu repertório sociocultural a partir do filme. Sendo assim, fica evidente que promover o acesso ao cinema é, consequentemente, um estímulo cultural à população. Dessa forma, é necessário avaliar o quão democrático é o acesso às salas de cinema no Brasil.

Em primeira análise, cabe ressaltar que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948, garante a todas as pessoas o bem-estar social. Todavia, na prática algumas pessoas tem esse direito tolhido. Isso é evidenciado pela pesquisa do site “meio e mensagem”, em que é revelado que menos de 20% da população brasileira frequentou o cinema em junho de 2019. Neste cenário, sabe-se que no Brasil há concentração de salas de cinema nos grandes centros urbanos, o que promove a segregação espacial, dos moradores de pequenas cidades, do acesso ao cinema.

Ademais, ainda que haja salas de cinema disponíveis na cidade, poucas pessoas têm condições de frequentar as sessões. Isto se dá, majoritariamente, pelo alto preço do ingresso. Dessa forma, cidadãos de baixa renda são impossibilitados de acessar o cinema. Verifica-se, portanto, que o Estado brasileiro quebra o “contrato social”, proposto pelo filósofo Thomas Hobbes, ao não garantir o bem-estar social a todos os brasileiros.

Destarte, medidas devem ser tomadas para que haja efetiva democratização do acesso às salas da sétima arte no país. Para tanto, o Poder Legislativo, destacadamente os deputados federais, devem facilitar a entrada de pessoas de baixa renda nos cinemas, por meio de Lei que garanta descontos progressivos, ou até gratuidade, nos ingressos, utilizando como critério o nível de renda da pessoa, assim como o Número de Identificação Social (NIS), com o fito de democratizar o consumo de cinema entre os brasileiros. Com essa medida, espera-se um aumento no nível cultural dos brasileiros.