ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 27/11/2019
Segundo Nelson Mandela, é dever do Estado propiciar um ambiente facilitador para a manutenção do bem-estar social. No entanto, a substancial parcela populacional negligenciada pelo Estado tem seu acesso restrito às salas de cinema, uma vez que, a falta de cinemas públicos e a péssima distribuição deles pelo país é um fato que fere diretamente o pleno acesso à cultura, o que, por sua vez, reflete na construção de uma sociedade alienada e facilmente sujeita à manipulação. Logo, é fundamental a análise das práticas que colaboram para a persistência desse problema.
Convém ressaltar, a princípio, que a inexistência de cinemas públicos advém da exaltação do modelo econômico em detrimento do cultural. De acordo com o Adam Smith, conhecido como pai do liberalismo econômico, o individualismo deve prevalecer para que a sociedade progrida como um todo. Nesse sentido, as instituições privadas, que tem como único objetivo lucrar, investem na criação de cinemas acessíveis apenas às classes mais altas da sociedade, excluindo as menos favorecidas desse meio. Assim, percebe-se a importância da criação de locais públicos para inserir as camadas mais carentes da sociedade nesse contexto cultural.
Outro fator importante, nessa temática, é a forma irregular na qual os cinemas são distribuídos pelo território brasileiro. Nesse viés, John Locke defendia que o indivíduo e o Estado devem andar juntos a fim de garantir o sucesso na sociedade. Todavia, o país se mostra indiferente aos ideais de Locke, já que, apenas as grandes metrópoles contam com o privilégio de espaços voltados à apreciação cultural. Assim, apenas a boa vontade da população não é o suficiente, medidas governamentais tornam-se necessárias para solucionar o problema.
Evidencia-se, portanto, que ações são necessárias para que a população brasileira tenha acesso ao cinema de forma democrática. É necessário que o Ministério da Cultura, aliado aos indivíduos, criem projetos de cinema ao ar livre, colocando os equipamentos necessários nos parques de todas as cidades do Brasil, com entrada livre e contando com ações voluntárias da população para a manutenção do cinema. Por sua vez, o MEC -órgao responsável pelo desenvolvimento civil- deve inserir uma matéria de cinema, desde o infantário, por meio da modificação da grade curricular das escolas, para que o acesso a cultura seja ampliado e construído desde a infância. Assim, será possível alcançar um Brasil com um bem-estar social próximo daquele que Mandela prega.