ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 28/11/2019
A Constituição Federal de 1988, norma de maior hierarquia no sistema jurídico brasileiro, assegura a igualdade e a cultura como direito inerente a toda a população. Torna-se válido perceber, entretanto, que essa garantia nem sempre é colocada em prática, uma vez que a democratização do acesso ao cinema é um enorme desafio no Brasil. Isso acontece devido à presença de desigualdade social e econômica no que tange às cidades brasileiras. Pode-se dizer, então, que a negligência por parte do governo e os interesses lucrativos das empresas exibidoras são os principais responsáveis pelo quadro. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais para combater o privilégio que as grandes metrópoles, principalmente as áreas de alta renda, recebem das empresas cinematográficas. Segundo o filósofo inglês John Locke, o Estado, por meio de um contrato social, deve garantir o bem-estar da população, no entanto, isso não acontece no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, nota-se um descaso governamental em relação às políticas públicas que visem garantir uma infraestrutura adequada nas cidades pequenas e médias, com o fito de que as empresas cinematográficas possam se instalar e garantir a atração em todo o território nacional. Nesse cenário, depreende-se que somente as áreas de renda mais alta se beneficiam desse divertimento e populações como o Norte e o Nordeste brasileiro são evidentemente excluídos do universo do cinema. Dessarte, é preciso um novo posicionamento das autoridades mediante a problemática supracitada. Outrossim, vale salientar a lógica capitalista das empresas de cinema. De acordo com o pensamento marxista, em um mundo capitalizado, a busca pelo lucro ultrapassa valores éticos e morais. Nesse sentido, os valores das atrações não possuem um valor acessível a todas as classes sociais. Diante disso, infelizmente, as pessoas de baixa renda são veladas das salas de cinema e apenas pessoas que se encontram no topo da pirâmide econômica apreciam a “máquina de contar histórias”. Isso se comprova com dados divulgados pelo site Meio e Mensagem, os quais apontam que somente 17% da população frequenta esse ambiente. Logo, urge mudança de comportamento das redes de cinema, para que progressivamente o hodierno quadro seja revertido.
Medidas, portanto, devem ser tomadas a fim de que haja a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Sendo assim, o Governo Federal deve destinar verbas governamentais para as prefeituras municipais, e essas, por meio de parcerias com empresas de construção, devem construir salas de cinema em sua respectiva cidade. Além disso, as empresas cinematográficas, responsáveis pelo estabelecimento, devem propor um baixo valor aquisitivo das entradas, destinado às pessoas de baixa renda, objetivando a acessibilidade das incríveis máquinas de cortar histórias a toda população brasileira. Posto isso, será mitigada a escassez de salas de cinema do país e garantir-se-á igualdade e a cultura como preconizado na Constituição Federal de 1988.