ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 29/11/2019
O Brasil constitui um estado democrático que garante, segundo a Constituição vigente, a igualdade de todos perante a lei e o devido respeito à dignidade individual. Todavia, há uma discrepância entre o que consta na Carta Magna e o que ocorre na realidade brasileira, partindo-se da problemática, no tocante à dificuldade de democratização do acesso ao cinema. Isso se deve, sobretudo, à indiligência governamental – mediante a ineficácia de políticas públicas – e à leniência humana, no que tange à normatização situacional. Logo, é imprescindível o trabalho de agentes responsáveis por combater essa situação nefasta.
É válido acentuar que a negligência governamental está entre as causas dessa intempérie. Nesse sentido, segundo o filósofo grego Aristóteles, a política deve ser utilizada, de modo que, por meio da justiça, o equilíbrio seja alcançado na sociedade. Sob esse viés, o governo torna-se basilarmente responsável pela efetivação de políticas públicas eficazes, uma vez que a sua inoperância afeta diretamente a qualidade de vida e a harmonização social, visto que apesar do evidente aumento no número de brasileiros que frequentam as salas de cinema, esse crescimento ocorre de forma concentrada, desvalorizando as regiões periféricas do país. Sendo assim, uma atuação mais contundente da administração pública colaboraria na democratização do acesso, e reduzir-se-ia o panorama de tais adversidades.
Outrossim, evidencia-se a leniência humana como propulsora desse entrave. Nessa perspectiva, consoante o psicanalista David Levisky, a sociedade atual é muito permissiva, o que facilita a transgressão dos direitos. Sob tal enfoque, faz-se mister salientar que a problemática tem caráter patológico social, já que se vincula estruturalmente as heranças históricas humanas no que diz respeito à uma sociedade respaldada de desigualdades, isenta de mobilidade social, dotada de uma postura conformista e parcial no que concerne à direitos básicos, e lazer, perante aos avanços tecnológicos. Dessa forma, faz-se profícua uma postura mais crítica da sociedade, a fim de incitar ações governamentais em prol da questão em comento.
Constata-se, portanto, que ainda há infortúnios que inviabilizam a edificação de um país melhor. Destarte, urge que o Governo Federal promova a democratização do acesso ao cinema, por meio do aprimoramento na infraestrutura, e com a redução dos impostos das empresas exibidoras como forma de incentivo, com o fito de ampliar o acesso à população. Ademais, cabe à sociedade civil instigar a ampliação dos seus direitos, saindo de uma posição segregada, com o escopo de mitigar tais consternações sociais. Pois, só assim, fazem-se valer os descritos na Constituição.