ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 04/12/2019
No século XIX,a segunda geração romântica explanava nas obras literárias sobre fuga da realidade como forma de lidar com as dificuldades diárias. Paralelo à isso,a contemporaneidade baseia-se na exibição de filmes em cinemas para estimularem as pessoas a conhecerem novas dimensões. Entretanto,ainda há problemas ao livre acesso desse aparato cultural. Desse modo a plena democratização é fragilizada pela desigualdade sociocultural e falha governamental.
Em primeira análise,é notório como a disparidade social influencia na inserção total da população às salas de filme. Nesse sentido,corresponde-se as estruturas renascentistas,em que apenas a elite tinha a oportunidade de ver pinturas,esculturas ou peças de teatro. Tal mecanismo prejudica a maioria dos cidadãos de estarem em diferentes universos,já que ao não ver versões diferentes do seu cotidiano ocorre perda de sensibilidade quanto o diferente e a ausência de reflexão sobre outras realidades. Basicamente,ao conhecer histórias como a do Auto da Compadecida - obra que se passa no sertão nordestino e retrata na perspectiva cristã, a ida dos personagens ao céu e o inferno - o indivíduo se diverte com as ações do protagonista,mas também desenvolve a empatia.
Vale pontuar também,como a negligência governamental impede a acessibilidade ao universo do cinema. Nessa perspectiva, segundo a ANCINE (Agência Nacional do Cinema) as regiões sul, sudeste e as grandes cidades possuem as melhores estruturas audiovisuais. Acerca disso, as regiões periféricas,por exemplo, para conhecer um filme que está em cartaz precisa se locomover por longas horas até o centro mais próximo ou, como ocorre muitas vezes, não vai. Sob esse viés,nota-se um desequilíbrio quanto o nível de infraestrutura entre as regiões brasileiras propiciada por um organização estatal inerte à situação. Dessa maneira,a Constituição Federal de 1988 é descumprida, uma vez que ela se baseia no bem-estar do cidadão e tal função corrompe-se com a falta de medidas ativas que garantam o acesso amplo ao cinema.
É evidente,portanto,como é precária a plena acessibilidade às salas de filme. Assim, cabe a presença do Ministério da Cultura na elaboração de um programa nas regiões mais afastadas,por meio do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) para mapear os pontos do território brasileiro com déficit em relação as máquinas audiovisuais.Além disso,haja uma parceria do Governo com os empresários locais em que ocorra a garantia de ingressos com preço simbólico em troca de isenção fiscal,com o objetivo de que essas ações governamentais somadas garantam que mais indivíduos conheçam o universo cinematográfico e tenham a chance de alcançar a evasão dos românticos da segunda geração.