ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/12/2019
Segundo o estadista e romancista francês Victor Hugo, “A primeira igualdade é a justiça”. De maneira análoga, na contemporaneidade, esse conceito não se efetiva, haja que o cenário desafiador de democratização do acesso ao cinema no Brasil impede o estabelecimento da justiça social. Diante disso, tanto a formação da sociedade moderna quanto as falhas estatais surgem como impulsionadores desse imbróglio.
Vale destacar, inicialmente, a formação social como o fator do problema. Nesse viés, de acordo com o sociólogo Émile Durkheim, o conceito de anomia consiste na desintegração das normas sociais, causa das patologias da sociedade moderna e individualista. Desse modo, pode-se relacionar o pensamento às transformações no estilo de vida do século XX, o que, por conta da falta de conhecimento de parte da população acerca dos meios de entretenimento, como o cinema, provoca o atual quadro tenebroso da pouca democratização do acesso ao cinema no país. Tal conjuntura reflete no baixo nível educacional dos brasileiros, na formação de indivíduos com pouca capacidade crítica e no aumento da exclusão social, ratificando, assim, o contexto anômico.
Além disso, pode-se citar o descaso governamental ao tratar a questão. Isso, porque o crescimento descontrolado das cidades a partir dos anos de 1970 associado aos escassos recursos financeiros destinados à cultura do país entravam a superação desse panorama preocupante. Rompe-se, dessa forma, a proposta de contrato social defendida pelo filósofo inglês Thomas Hobbes, uma vez que a precariedade de ações do poder público não permite a concretização do direito à cultura e ao lazer, previstos no artigo 6º da Constituição Federal de 1988. Logo, a grave condição que envolve a baixa popularização dos cinemas no Brasil permanece sem solução.
Fica evidente, portanto, a necessidade de medidas para mitigar a problemática. Nesse sentido, cabe ao Estado - agente responsável pelo controle social – investir na criação de um plano nacional de democratização do acesso ao cinema, por meio da reorganização das diretrizes orçamentárias, a qual permita a destinação de mais verbas para o setor cultural do país e a inclusão na grade curricular das escolas da disciplina a valorização dos bens culturais para o progresso nacional, a fim de promover melhor qualidade educacional, estimulando, nesse aspecto, o pensamento crítico da população. Enfim, tornará possível a realização da máxima de justiça apregoada por Hugo.