ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/01/2020

Durante o Renascimento, a valorização da manifestação artística e cultural permeava o ideário da época, de modo a pressupor a arte como uma extensão da realidade humana. Hodiernamente, no Brasil, a produção de conteúdo artístico, essencialmente no cinema, corrobora o espectro de influência global, o que diversifica a matriz cultural do país, todavia, a incipiência pública no que tange ao fomento do cinema nacional e sua difusão, inviabiliza a democratização do acesso a essa arte no país. Nesse sentido, essa problemática revela e constitui um desafio a ser superado pelo poder público e toda a conjuntura social.

A priori, é importante destacar que a Constituição Federal de 1988 respalda o incremento da arte no seio social, contudo, a égide desse direito é maculada, tendo em vista, que a geografia do cinema nacional tange, majoritariamente, para os grandes centros urbanos. A título de ilustração, durante o Estado Novo, de Getúlio Vargas, a censura e o controle das manifestações artísticas restringiam o corpo social de apoderar-se de uma arte livre e democrática. Similarmente, as regiões brasileiras desfavorecidas nos aspectos sociais e econômicos são acometidas pela insuficiência de locais aptos para a expressão, de fato, da arte.

Outrossim, vale salientar que a Revolução Técnico-Científico-Informacional propiciou o advento de tecnologias e aparatos que universalizam o acesso aos conteúdos artísticos, entretanto, a falta de coesão e a disparidade socioeconômica brasileira impossibilita tal cenário. Conforme os pensadores da escola de Frankfurt, a indústria cultural remete para a produção de conteúdos com o fito de o homogeneizar e o tornar público e, assim, facilmente atingível. Analogamente, o controle econômico acerca da demanda e abrangência do cinema no Brasil torna-se contrário a seguridade democrática, haja vista, que a igualdade e a liberdade nos preceitos artísticos são parte da essência desta.                             Depreende-se, portanto, que a democracia do cinema no Brasil ainda é incipiente, sendo refém de interesses financeiros atrelados a ingerência estatal. Dado isso, faz-se necessário que o Governo Federal, por meio da Agência Nacional do Cinema – órgão gestor do cinema no país – financie a produção artística cinematográfica de forma livre e irrestrita, fornecendo subsídios a atores e produtores, de modo a buscar a participação da esfera privada, ofertando incentivos fiscais para empresas que instiguem e patrocine o cinema e a arte nacional, ademais, a mídia atue na divulgação da produção nacional. Dessa forma, será possível construir uma sociedade mais justa e que valoriza a arte.