ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 09/02/2020

A Constituição Federal estabelece que todo cidadão tem direito a cultura e lazer. Contudo, ao observar a atual conjuntura do país, no que concerne o acesso da população ao cinema, percebe-se que essa previsão está longe de efetivamente ser observada e promovida. Esse cenário é resultado da interseção entre dois fatores, o elevado preço dos ingressos e a própria falta de interesse da população pela arte cinematográfica. Em razão disso, torna-se imprescindível que o governo tome providencias para que a sétima arte seja democratizada em todo o território nacional.

Inicialmente, cumpre destacar, que o cinema ainda é um entretenimento caro, não condizente com a realidade financeira da maioria da população brasileira. No entanto, por ser o cinema uma arte, o governo não deve trata-la como empreendimento liberal pautado pela lei da oferta e procura, sob pena de restringi-lo a classe de maior poder aquisitivo. Nesse sentido, o Estadista Alemão Otto Von Bismark, pai do Estado de Bem-Estar Social, em seus discursos afirmava que o poder público deve intervir nas atividades que explorem os bens de direitos de igualdade para assegurar a sua acessibilidade a todos. Portanto, a fim de corrigir as injustiças o governo deve articular medidas para tornar o acesso às salas de cinema compatível com o orçamento de seus cidadãos.

Em uma segunda análise, verifica-se que não é da cultura da maioria dos brasileiros o hábito de ir ao cinema. Também, com tantas dificuldades sociais e econômicas a serem vencidas cotidianamente, o gosto pelas artes é sufocado em detrimento da luta pela sobrevivência. Contudo o renomado médico Draúzio Varela afirma que momentos de lazer são indispensáveis para melhorar a qualidade de vida e principalmente para o desenvolvimento da criatividade. Desse modo, deve haver investimento público na construção desse interesse pelo cinema, pois os benefícios expressivamente importantes, sobretudo, para um povo tão sofrido como é o caso do telespectador brasileiro.

Face ao exposto, estando amplamente comprovado que o cinema ainda é um entretenimento oneroso e que não é do hábito do brasileiro ir ao cinema, o governo federal, através de sua Agência Nacional de Cinema, utilizando-se de incentivos fiscais e até mesmo de linhas de créditos bancários, deve atrair e impulsionar empreendedores a investirem na abertura de novas salas cinematográficas por todo o país tornando-as assim mais acessíveis econômica e geograficamente para a população. Por sua vez, a Agência Nacional de Publicidade, juntamente com a grande mídia, deve promover campanhas estimulando os cidadãos a manterem constante contato com a sétima arte, pois a mesma proporciona maior qualidade de vida ao passo que permite o espectador fugir de sua realidade. Essas medidas contribuíram expressivamente para que no Brasil o cinema seja efetivamente democratizado.