ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 13/03/2020

Nobert Elias, sociólogo da atualidade, em seu livro ‘O processo civilizador’, coloca a cultura e a civilização como processos que separam o ser humano do comportamento instintivo, o qual é comum aos animais. Diante desta perspectiva, o cinema simboliza a transformação de algo abstrato, como uma ideia, em uma arte que independente do assunto instiga a capacidade cognitiva do público. Assim, sendo ela tão relevante e detentora de tamanho potencial, se torna inquestionável a importância de sua democratização no Brasil. Entretanto, a postura negligente do Estado sobre a cultura, junto a elitização desse lazer, contribui para que a situação permaneça como esta.

Em primeiro lugar, é previsto na constituição o direito ao acesso a cultura para todo cidadão, todavia esta vem sendo tratada de forma passiva. O Estado, por exemplo, direciona um orçamento mínimo para tal finalidade, o que pode ser exemplificado ao se analisar que boa parte dos centros de práticas artísticas – incluindo o cinema- estão concentrados nas grandes cidades. De modo que para boa parte dos municípios o acesso seja praticamente impossível. Portanto, fica visível o quanto não há esforços para que ocorra uma aproximação entre a população como um todo e o mundos das artes, nesse caso, o cinematográfico em especial.

Em segundo lugar, sendo esse uma consequência do que foi descrito, ocorre uma exclusão de parte da sociedade que poderia ter acesso, mas não consegue arcar com os gastos para tal. Afim de endossar este ponto, pode-se citar o estudo sobre a indústria cultural feito pelos filósofos e sociólogos Adorno e Hockheiner. Neste, afirmam que a arte, na modernidade, tornou-se um mero produto do capitalismo. Logo, qualquer compromisso social que esta deveria ter se torna secundário, uma vez que a prioridade é obter lucro. A elitização pode ser apontada ao observar a criação de sala cada vez mais exclusivas, mas pouquíssimas com o intuito de inserir naquele espaço classes sociais menos privilegiadas.

Portanto, o Ministério da Cultura, em acordo com o Estado e a iniciativa privada, deve criar um projeto para democratização do cinema no Brasil, afim de aumentar seu alcance e garantir que cada vez mais brasileiros tenham acesso a este espaço. Além disso, simultaneamente o Governo Federal deve agir por meio de incentivos fiscais com intuito de impulsionar a implantação de cinemas ao longe de todo território nacional e reduzir os custos de seus ingressos. Dessa forma, um contingente maior de cidadãos brasileiros terá acesso efetivo ao que lhes é garantido pela Constituição.