ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 20/03/2020
A célebre obra literária de ficção científica, “Fahrenheit 451”, retrata uma sociedade distópica, na qual o acesso à cultura é restrito pelo Estado, sendo este apenas um comitê de opressão e controle social. De maneira análoga, é perceptível que o acesso às produções artísticas faz-se pouco efetivo no cenário brasileiro, ora por disparidades socioeconômicas regionais, ora por negligência governamental. Sob essa ótica, é importante expor e analisar os fatores que interferem na democratização e na acessibilidade do cinema em âmbito nacional.
É lícito postular, a priori, a ausência de infraestrutura urbana como um obstáculo à democratização do acesso ao cinema no Brasil. Nesse espectro, constata-se que a falta de planejamento das cidades atinge, sobretudo, as populações periféricas, em que o poder público faz-se ineficiente, tornando os indivíduos vulneráveis às mazelas socioeconômicas. Tal fenômeno pode ser analisado a partir da construção metafórica denominada “corpo biológico “, idealizada pelo socíólogo Émile Durkheim, em que as estruturas anatômicas de um corpo humano , bem como a organização de uma sociedade, dependem do funcionamento igualitário de todas as partes, visando a coesão e o equilíbrio. Assim, denota-se a importância da igualdade, tangível à acessibilidade das produções culturais em esfera nacional.
É imperioso mencionar, a posteriori, a relevância da democratização do acesso ao cinema para a promoção de valores socioculturais e da criticidade. Isso ratifica-se pela teoria do escritor Alfredo Bosi, que destaca a importância da cultura na sociedade, haja vista que configura-se como um legado histórico em constante transmissão para as gerações posteriores. Dessa forma, tal fator torna-se mister para a construção do caráter dos indivíduos e para a autonomia intelectual destes.
Em síntese, urge que medidas de cunho governamental sejam viabilizadas para mitigar o quadro hodierno. É fundamental, portanto, que o Governo Federal, em parceria com prefeituras e empresas de municípios carentes,em termos socioeconômicos, realize investimentos na construção de ambientes destinados ao cinema nessas regiões vulneráveis, a partir de verbas públicas e de investimentos empresariais, visando fomentar a dispersão espacial das produções culturais e cinematográficas. Ademais, o Ministério da Educação, junto ao Ministério da Cultura, deve acrescentar teatros e atividades artísticas nas escolas e nas universidades públicas. Assim, observar-se-ia a difusão e a valorização de bens imateriais no Brasil contemporâneo.