ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 20/03/2020
Promulgada em 1988, a Constituição da República do Brasil assegura a todos os indivíduos direitos e deveres que devem ser cumpridos na contemporaneidade. Embora seja uma importante conquista por estabelecer, por exemplo, o direito a igualdade e ao bem-estar social, essa legislação está ameaçada pela não democratização do acesso ao cinema no Brasil, cenário que devido a fatores político-sociais se tornou crítico nos últimos anos. Nesse sentido, deve-se analisar como a exclusão social e a falta de investimento público contribuem com esse colapso.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar que, apesar de ser um importante centro de cultura, a maioria dos cinemas se localiza nos polos urbanos, sendo este um feito que favorece a exclusão social. Isso porque, em consequência do privilégio exercido pela urbanização, as grandes cidades exercem um notável poder em capital, sendo logo escolhidas pelas empresas cinematográficas para construir seus polos. Embora esse seja um ponto positivo para os moradores dos polos urbanos, esse cenário exclui as periferias e o interior dos estados, por exemplo, que perdem um direito que deveria ser igualitário: o acesso a cultura.
Outrossim, a falta de investimento público também pode ser apontada como problema. Segundo Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido ao descaso governamental, muitos indivíduos sentem-se reféns da internet para ter acesso a filmes e séries, muitas vezes, por não terem condições financeiras, recorrem a pirataria. Dessa forma, evidenciando que, por não investir na democratização do acesso ao cinema no Brasil, o governo colabora com problemas ainda mais agravantes.
Destarte, medidas devem ser adotadas para erradicar este mal. Para tanto, o Ministério da Cultura, em parceria com o Governo Central, deve criar o programa “Bolsa Cultura”, que tem o objetivo de oferecer a população mais pobre 2 (dois) ingressos ao mês para assistir qualquer filme nos cinemas do país. Além disso, as escolas, sejam elas de cunho público ou privado, devem incluir em sua carga horária, aulas destinadas a exposição de filmes de teor educativo, afim de estimular, desde a infância, o saber cultural. Desse modo, garantir-se-á que os direitos descritos na Carta Magna não sejam violados.