ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 21/03/2020

Acesso à Democracia

Em 1516, o filósofo Thomas More desenvolveu a obra “Utopia”, segundo a qual a sociedade é perfeita, sendo caracterizada pela ausência de conflitos e problemas. Entretanto, o que manifesta-se na sociedade contemporânea diverge da temática do livro, uma vez que os desafios da democratização do acesso ao cinema no Brasil, vai de encontro à efetivação dos planos de More. Com efeito, há de se combater não só as mazelas sociais, bem como a ineficácia governamental.

Em primeiro plano, as diversas crises sociais evidenciam a falta de acesso ao cinema. A esse respeito, segundo o sociólogo Émile Durkheim, o “Fato Social” consiste na maneira coletiva de pensar e de agir, dotada de coercitividade, exterioridade e generalidade. Ocorre que as adversidades da contemporaneidade se relacionam com a generalidade, descrita por Durkheim, uma vez que a falta de acesso ao mundo cinematográfico subjuga substancial parcela da população e acarreta danos – sobretudo psicossociais – irreparáveis às populações marginalizadas. Dessa forma, não é razoável que a negligencia da democratização permaneça em um país que almeja torna-se nação desenvolvida.

De outra parte, o descaso governamental fragiliza a democracia. Nesse viés, o filósofo John Locke conceitua de “Contrato Social”, a confiança que a sociedade tem no Estado, em troca de direitos. Contudo, à medida que o Estado se mostra inerte para mitigar os entraves que inviabilizam a democratização, fica evidente a quebra do contrato retratado por Locke, o que subverte o Estado Democrático de Direito. Assim, enquanto a omissão do Estado se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver com um grave problema: a falta da democracia.

Urge, portanto, que há de se combater os obstáculos que desestimulam o acesso ao mundo cinematográfico. Os indivíduos devem, com veemência, repudiar os problemas sociais, por meio de debates nas mídias sociais. Essa iniciativa, teria a finalidade de desestimular a omissão do Estado, que por sua vez, poderia investir em todas as regiões, de modo que todos tenham acesso à democracia.