ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 22/03/2020
Brasil: um cinema de todos
É sabido que o cinema tem-se expandido, mundialmente, de geração em geração, no intuito de equalizar o acesso à arte cinematográfica. No entanto, no Brasil, o referido acesso ainda encontra-se absurdamente desigual. Ora, para comprovar, basta realizar-se uma breve pesquisa entre os moradores do interior de uma cidade com poucos habitantes, por exemplo. Antecipa-se que muitos sequer já ouviram falar em salas de cinema. Outros tem noção do que significa cinema, mas nunca foram telespectadores de uma, apenas ouviu falar por meio da televisão.
Infere-se que um dos fatores preponderantes para que isso ocorra corresponde à ausência de infraestrutura de algumas cidades brasileiras. Atualmente, a maioria das salas de cinemas brasileiras comportam-se em shopping center. O que dificulta ainda mais para uma cidade interiorana, uma vez que - por ausência de incentivos governamentais em atrair investidores empresariais - possuem sequer shopping center, quiçá salas de cinemas.
Ademais, a carência na democratização de acesso a salas cinematográficas centra-se também no fato de muitas delas ainda não serem dotadas de estrutura para receber os telespectadores que necessitam de algum tipo de assistência e assento especializado. Por exemplo, não há rampas de acesso, lugares para cadeirantes, salas específicas para surdos e mudos. Nessa senda, o próprio cinema não abre espaço para todos os tipos de telespectadores.
Desse modo, as desigualdades de acesso encontram-se na ausência de estrutura da cidade, da própria sala de cinema, no valor dos ingressos, entre outros. Isso acentua as desigualdades sociais, haja vista que apenas os abastados de poder aquisitivo são privilegiados para assistir a um filme que está nos cartazes. Tais fatos ferem, brutalmente, a Lei de acessibilidade para Deficientes, bem como a Constituição Federal de 1988, a qual prevê, em seu artigo 5º, o igual acesso ao cinema. Consequentemente, vai de encontro à Convenção Internacional dos Direitos Humanos, a qual defende o tratamento dos desiguais na medida da sua desigualdade.
Nesse sentido, observa-se que a expansão do cinema tem ocorrido somente entre as gerações privilegiadas. Há muitas que ainda precisam ser incluídas nas estatísticas correspondentes entre os que participam como telespectador nas salas de cinema. Assim, necessário se faz que os órgãos governamentais destinem mais investimentos em educação, em infraestrutura para as cidades comportarem salas cinematográficas e que estas sejam, em seus interiores, acessíveis estrutura, economica e socialmente. Apenas assim, haver-se-á uma democratização em seu sentido literal.