ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 26/03/2020

Machado de Assis,ao dar voz ao defunto autor Brás Cubas,diz em suas “memórias póstumas” que não teve filhos e não transmitiu a nenhuma criatura o legado da nossa miséria.No cenário atual,sua decisão é coerente:a omissão do Estado e a desassistência das empresas frente a democratização do acesso ao cinema no Brasil é uma das faces mais ignorantes e perversas da sociedade.Nesse contexto,é indubitável discutir pilares da problemática em questão,a qual está ligada a fatores político-estruturais.

Convém ressaltar,a princípio,a dificuldade em democratizar o acesso ao cinema no Brasil como oriundo de valores socioculturais e econômicos.Decerto,ao seguir a teoria marxista a qual afirma que os meios de produção determinam a forma de agir e pensar do ser,observa-se “a camarotização” das artes. Nesse âmbito,alienados pelo capitalismo selvagem, as empresas exibidoras optam por instalar as salas de cinema em áreas de renda mais alta das grandes cidades, priorizando o lucro em detrimento dos valores morais da equidade.Desta feita,é notória a centralização do acesso a cultura,corroborando para manifestação de um cenário de exclusão social.Porém,embora caótica,essa situação é mutável.

Outrossim,a omissão do poder público na disponibilização de recursos que priorizem a acessibilidade impulsiona o cenário anti-democrático,no qual apenas 17% da população tem acesso ao cinema, segundo o site “meioemensagem”.Conforme o pensamento filosófico de São Tómas de Aquino,todos os indivíduos de uma sociedade democrática possuem os mesmos direitos e deveres. Nesse âmbito,democratizar o acesso ao cinema no Brasil é fator primordial para superar as barreiras da exclusão social.Tal fato deve levar em consideração os benefícios do cinema:desenvolvimento da capacidade cognitiva de crianças e adolescentes,além de despertar o senso crítico  e contribuir para ampliação do repertório sociocultural.Desta feita,direcionar investimentos para criação de cinemas populares em áreas periféricas e menos favorecidas,é salutar para culturalizar o princípio da isonomia assegurado na Carta Magna do país.Ademais,a democratização do acesso deve ampliar seus horizontes e contemplar grupos minoritários(deficientes,idosos e grávidas),além dos menos favorecidos.

Virtude sob a perspectiva filosófica aristotélica é ter autocontrole e altruísmo.Ao seguir a máxima do autor,é indubitável a necessidade de medidas inadiáveis com intuito de superar a exclusão social no campo do acesso ao cinema.Depreende-se que o Governo Federal,em parceria com as empresas exibidoras,invista na construção de cinemas próximos as áreas periféricas urbanas, os quais devem ser construídos visando a acessibilidade de grupos minoritários.Assim,haverá a contribuição do poder público para formação e desenvolvimento de cidadãos aptos a valorizar o cinema e,para construção de um país amplamente caracterizado como priorizador da democracia.