ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 27/03/2020

Embora a Constituição Federal de 1988 assegurar que o acesso à cultura é um direito de todos os cidadãos, percebe-se que, na atual realidade brasileira, não há o cumprimento dessa garantia, principalmente no que diz respeito à democratização do acesso ao cinema. Esse cenário antagônico é fruto tanto da negligência do poder público, quanto dos elevados custos dos ingressos. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.                Primeiramente, vale ressaltar que o problema da democratização do acesso ao cinema deriva da negligência do governo, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o Pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil, haja vista a escassez de espaços públicos destinados a exibições cinematográficas, sobretudo, nas regiões carentes do país. Esse contexto relaciona-se a segregação identificada na tese de “autocidadania”, escrita pelo sociólogo Jessé Souza, que denuncia a situação de vulnerabilidade social vivida pelos pobres, cujos direitos são negligenciados pela falta de ação do Estado. Desse modo, faz-se mister a reformulação da postura estatal de forma urgente.

Outrossim, os elevados custos dos ingressos também são promotores do problema.  Partindo desse pressuposto, o atual quadro de crise que o país enfrenta, em que parte da população encontra-se desempregada ou é de baixa renda, não permite que essas pessoas tenham condições de arcar com o alto valor das entradas no cinema, pois, conforme o economista Ludwig Von Mises, indivíduos com baixo poder aquisitivo priorizaram serviços de necessidade básica (como alimentação, saúde e moradia) em detrimento de atividades culturais, uma vez que aqueles, são essenciais à sobrevivência. E em consequência disso, essa parcela da sociedade sofre com os efeitos da exclusão, já que os enormes preços contribuem para a perpetuação desse quadro de marginalização.

Portanto, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade Brasileira. Dessarte, com intuito de afirmar a democracia no cinema, é preciso que o Governo Federal assegure que todo o corpo social tenha amplo acesso à teledramaturgia, mediante o direcionamento de capital para a construção de salas destinadas à transmissão de filmes, séries e documentários, com um aparato qualificado e gratuito, em todas as cidades do Brasil, a fim de assegurar que todo cidadão obtenha acesso igualitário à sétima arte. Ademais, o Governo e a Agência Nacional do cinema, devem ampliar o acesso da população, em especial das camadas menos abastadas, ao cinema, por meio do oferecimento de incentivos fiscais às empresas do ramo, para baratear os custos dos ingressos. Assim, toda a sociedade poderá ser atendida e os anseios constitucionais terão realmente vigor.