ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 09/04/2020
Dentre as mais variadas formas de manifestações culturais, como por exemplo, a literatura, a pintura, a música e o teatro, uma se destaca com especial atenção: o cinema. Este, é um meio de comunicação importante, que com o advento da globalização, diminuiu a distância existente entre a tela e o telespectador, o qual se tornou um ator social, segundo a concepção de Edgar Morin, sociólogo e filósofo Francês. Com isso, apesar do favorecimento econômico e tecnológico da indústria cinematográfica, em tempos atuais, esbarra-se na seguinte problemática: a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil.
Com a derrubada do “mundo inacessível” entre os povos, houve sem dúvidas, um encurtamento nas diversas estruturas das relações humanas. Dessa forma, o cinema tornou-se uma ferramenta fundamental no que tange à comunicação entre os povos, bem como de entretenimento. No Brasil, por exemplo, o crescimento das grandes cidades associado ao incremento da economia foram aspectos cruciais ao desenvolvimento cinematográfico, principalmente, por parte de incentivos da iniciativa privada. Porém, devido ao dinamismo contemporâneo, onde impera a “lei do fácil acesso”, as telas do cinema estão cada vez mais sendo substituídas pelas telas de TV, isso pode ser constatado através da escolha de grande parte do público à Netflix, nas tardes de domingo.
No entanto, verifica-se que o acesso ao cinema, mesmo com todo o aparato tecnológico ao seu favor, ainda é um processo marcado pela exclusão social. Os meios de comunicação que chegam às minorias têm um caráter econômico predominantemente deficitário, uma vez que, impede o direito do cidadão pobre, negro e favelado, que na maioria das vezes, não tem poder aquisitivo suficiente para apreciar o lançamento de um filme nas telas do shopping center da sua cidade, a qual, na maioria das vezes, ainda não tem o seu acesso configurado, principalmente, nos interiores do país, o que contribui para a celeridade das diferenças sociais e formas não democráticas de acesso à cultura.
Assim já dizia a grande filósofa alemã, Hannah Arendt: “para que haja democracia é necessário haver a participação ativa dos atores sociais”. Dessa forma, dentro de tal perspectiva urge a necessidade de acesso à informação e cultura por todo cidadão brasileiro. Os gestores públicos estaduais e municipais, em parceria com a indústria midiática, devem em médio prazo, estabelecer junto à sociedade, ações públicas em escolas, praças, e demais locais de acesso em massa, a fim de proporcionar a garantia de igualdade aos meios de comunicação, estabelecida pela Constituição Federal de 1988 (CF/88). Baseando-se nisso, o cinema, forma de expressão de arte e informação, poderá possibilitar a democratização do seu acesso em todo o território nacional.