ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 05/04/2020
No século XIX, em Londres, os irmãos Lumière deram início ao que se tornara parte da cultura mundial: o cinema. Tendo início com filmes mudos e altamente críticos, apenas a elite se constituia como público, devido aos preços altos e aos preconceitos da época. No Brasil contemporâneo, a realidade nesse cenário não se difere por completo dos ingleses daquela época: com custo elevado nos ingressos, e o distanciamento espacial das regiões periféricas, a democratização do acesso à essa produção cultural torna-se algo existente apenas nos papéis. Desse modo, faz-se necessário a tomada de medidas para que ocorra o exercício deste direito. A princípio, é imperioso ressaltar que a incansável busca pelo lucro da industria cultural de massa leva ao público preços não condizentes com a realidade brasileira. Mesmo com a redução do preço em dias úteis e o concebimento de meia-entrada para os estudantes, os jovens de periferia que trabalham e estudam não conseguem frequentar cinemas com regularidade. Isso deve-se a concentração desses locais em áreas nobres, comumente afastadas de regiões pobres. Por conseguinte, apenas 17 a cada 100 brasileiros frequentam os cinemas, e, a grande maioria opta por assistir os seus filmes em casa, como diz pesquisa disponível no jornal digital Meio e Mensagem. Logo, constata-se que a maioria brasileira não tem facilidade no acesso à cultura. Outrossim, é imperativo ratificar que segundo a Magna Carta, todo cidadão brasileiro tem direito à cultura e ao livre acesso à ela. Em busca de assegurar esse direito, mobilizações sociais, juntamente com algumas ONGs, deram início aos cinemas de rua: filme transmitidos ao ar livre, em praças, de modo gratuito e aberto à sociedade. Na cidade de Belo Horizonte, essa tentativa também foi feita com a instalação de um cinema popular com sessões gratuitas abertas ao público. Entretanto, essas medidas não tem as dimensões necessárias. Depreende-se, portanto, a necessidade de democratizar o acesso ao cinema no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação - responsável pela formação civil -, por meio de destinação de verbas específicas, a realização de excursões escolares periódicas aos cinemas, para levar os estudantes que não tem condições a conhecerem a importância do cinema na cultura de um país. Ademais, ONGs que realizam trabalhos para a amenização das desigualdades sociais, devem realizar de modo mais abrangente os projetos de cinema de rua, em parceria com a sociedade civil.