ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/04/2020
O escritor inglês Thomas More, na obra “Utopia”, em 1516, retrata uma sociedade ideal, na qual o corpo cívico padronizava-se por ser lícito, coeso e equitativo. Contudo, no que tange à democracia do acesso ao cinema, no Brasil, observam-se barreiras que dificultam a concretização dos planos do autor. Esse cenário antagônico ocorre não só pela má administração governamental para elaborar estratégias de incentivo e oportunidade para a exibição de filmes, mas também pela inércia social em decorrência do avanço tecnológico.
Impende ressaltar, primeiramente, que as ações públicas devem ser efetivas e gerenciadas pelo Poder Público. Neste Contexto, a Lei Rouanet foi criada para expandir, de forma igualitária, o acesso à cultura no território nacional. No entanto, em 2008, foram descobertas fraudes com o uso da verba, a qual fomentava de casamentos a empresa privadas, segundo o portal de notícias G1. Assim, depreende-se que apesar de existir uma ação política que fosse capaz de democratizar o acesso ao cinema e a outros tipos de cultura, essa lei é vilipendiada por falta de fiscalização administrativa. Com efeito, há a diminuição do conhecimento intelectual difundido pelos filmes, principalmente, para a população de baixa renda e do interior, o que consolidada a exclusão e segregação social.
Outrossim, é fulcral enfatizar que o comportamento social se tornou passivo com o avento da internet, associada à globalização. Desse modo, a Revolução Técnico – Científica, no século XX, trouxe a informação conectada em rede. Contudo, não apenas beneficiou o aspecto intelectual dos indivíduos, mas também desenvolveu o comportamento passivo – com menos custo - de se adquirir cultura, sobretudo, passaram a optar por assistir a filmes em casa. Assim, associado aos altos preços de ingresso, houve um desinteresse pelas salas de cinema. Logo, faz-se necessário estratégias de aproximação do mercado cinematográfico como opção de lazer.
Em síntese, é indubitável que há entraves para facilitar a democratização do acesso ao cinema. Por conseguinte, cabe ao Governo Federal – como poder máximo de administração executiva – fiscalizar e investir verbas em projetos cinematográficos, mediante a exibição de filmes em escolas e praças públicas, para a população periférica e do interior, a fim de igualar o acesso a “sétima arte”. Ademais, esse órgão deve criar parcerias com a iniciativa privada, de modo que reduza os ingressos e criem promoções em locais de grande circulação, a fim de torna viável a entrada de todos os indivíduos. Sob essa perspectiva, será possível que a coletividade alcance a utopia de More.