ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 08/04/2020

Na mini série nacional “Cine Holyudi”, o cinema chega ao interior de São Paulo como a novidade da década de 1970. Acessível e inovador, o “Cine Holyudi” vivia lotado, até a chegada da televisão e suas telenovelas. Com programação cultural em casa, a população deixa de frequentar o cinema, que vai a falência. Analogamente, no Brasil, o cinema deixou de ser o principal canal cultural popular, seja pelo alto índice de pirataria digital ou pela falta de acessibilidade aos menos afortunados, torna-se necessário democratizar o acesso ao cinema.

Primeiramente, vale ressaltar que, apesar de ser crime, a pirataria digital tem tido índices alarmantes de crescimento. De acordo com dados do CNCP (Conselho Nacional de Combate a Pirataria e Delitos Contra a Propriedade Intelectual), de janeiro a agosto de 2019 foram realizadas operações para a suspensão de dezenas de sites que disponibilizavam “on-line” até filmes que haviam acabado de estrear nos cinemas. Tristemente, essa prática diminui o lucro dos cinemas, já que mais pessoas assistem os títulos de suas casas sem ter que pagar. Dessa forma, os preços das sessões aumentam, inibindo classes mais baixas de frequentar esse ambiente.

Ademais, é notório que os cinemas possuem suas salas em grandes cidades e áreas nobres, selecionando seu público. Para o filósofo George Hegel “o Estado é o pai da população, e tem o dever de cuidar de seus filhos, assim, ao se ter o Estado como a figura provedora, torna-se seu papel garantir o acesso da população a cultura, desde áreas afortunadas até pequenas cidades. Logo, o Estado deve incentivará abertura de cinemas nesses lugares, garantindo a democratização desse canal cultural.

Portanto, medidas se fazem necessárias para solucionar o impasse. Cabe ao Poder Legislativo a edição das leis existentes contra pirataria, através da inclusão de novas regras para a distribuição de entretenimento na internet, para que aqueles que distribuem pirataria sejam facilmente encontrados e punidos. Além disso, cabe ao Ministério da Cidadania destinar recursos, obtidos através de impostos, para que as empresas que administram cinemas abram salas em lugares periféricos e cidades de interior, para que todos possam ter acesso a esse espaço. Dessa forma, espera-se que os cinemas continuem a promover a cultura e não tenham o mesmo fim do “Cine Holyudi”.