ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 11/04/2020

A segunda dimensão dos direitos humanos da constituição federal de 1988, assegura o lazer como um direito humano imprescritível e está no mesmo parâmetro do direito à saúde, por exemplo. No entanto, mesmo com mais de um século de existência, o cinema ainda não é totalmente democratizado no Brasil e assegurado em todas as camadas sociais, o que gera uma certa segregação e seletividade, disponibilizando-o apenas para as camadas mais ricas, e também muitos brasileiros continuam sem conhecer seus direitos a benefícios já existentes.

Em primeiro lugar, a falta de democratização ao cinema afasta os brasileiros de poder integrar-se com o cinema e possuir seu direito ao lazer, uma vez que os cinemas brasileiros estão mais concentrados em alguns estados, o que evidencia a desigualdade regional do país. Segundo uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seis de cada dez salas estão localizadas em 38 municípios com mais de 500 mil habitantes, como os estados do Sudeste e do Sul, que respondem por apenas 0,68% dos 5.565 municípios brasileiros. Tal pesquisa reafirma que as regiões pequenas em população e economia sofrem uma segregação ao acesso a obras cinematográficas.

Em segundo lugar, a falta de informação adequada sobre alguns direitos já existentes que visão descontos para ingressos em teatro, cinema, jogos e museus, como é o caso do IDjovem, sejam pouco utilizados pela população de baixa renda. Além disso, essa falta de informação evolui para uma perda de potencial pedagógico que o cinema trás, já que pelo não conhecimento de seu direito, o individuo é privado também de seu acesso. Segundo o sociólogo e ativista dos direitos humanos Betinho “A democratização das nossas sociedades se constrói a partir da democratização das informações, do conhecimento, e das mídias”. Sendo assim, é de extrema importância o reconhecimento dos direitos que são dispostos para a sociedade.

Urge, portanto, que a democratização do cinema seja assegurada no Brasil. Logo, o Ministério da Cultura deve comunicar-se com os governadores das regiões com baixa taxa de acesso ao cinema, para formar parcerias com empresas e aumentar o número de salas em pontos estratégicos dos estados, para que toda a população possam utilizar. Ademais, deve-se incentivar o uso de programas que já existem para que os cidadãos que estão na condição de baixa renda possa ter descontos em eventos culturais, com informações midiáticas e em redes sociais oficiais do Governo e Ministério da Cultura. Assim, o acesso ao cinema será verdadeiramente democrático para todas as regiões.