ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 15/04/2020

“A arte sempre foi e sempre será uma válvula de escape. É por meio dela que podemos buscar o conforto, que, muitas vezes, nossa realidade não nos proporciona.” Hodiernamente, esse pensamento do diretor de teatro brasileiro Gerald Thomas pode ser associado à dificuldade do acesso democrático ao cinema brasileiro, devido, principalmente, ao transvio de verbas públicas e às poucas unidades de cinema distribuídas no território nacional. Por conseguinte, são necessárias medidas para reverter esse problema.

Em primeira análise, a citação “Aceitar dinheiro do primeiro que aparece é comprar um senhor e sujeitar-se à servidão.” do filósofo Sócrates é associada à ganância humana. O direito ao lazer e o acesso à cultura é promulgada constitucionalmente. Portanto, para que haja o exercício desse direito, o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac) distribui anualmente quantias monetárias aos cofres estaduais. Porém, por conta do desvio de dinheiro para fins privados, não há a aplicabilidade do capital no seu correto local de atuação. Logo, o transvio de dinheiro público fere o direito de acesso à cultura.      Outrossim, o verso “A gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.” da banda Titã relata a necessidade populacional do contato com a arte. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), 65% dos cinemas estão localizados na Região Sudeste. Portanto, as regiões de inferior potencial econômico sofrem com a carência de áreas destinadas à propagação de filmes. Consequentemente, com a centralização desses locais, ocorre a discrepância social, dado que nem todos indivíduos têm oportunidade de acesso a essas áreas.

Por conseguinte, ao analisar os aspectos mencionados, fica evidente a necessidade de medidas para reverter a situação. A população deve exigir aos representantes melhorias nas estruturas dos cinemas, uma vez que, a partir de exigências, a esfera política sinta-se pressionada a investir as verbas recebidas na infraestrutura artística. Ademais, o Estado deve promover teatros públicos a todas regiões, para que todos tenham acesso à diversão e ocorra a inclusão de diferentes habitantes em um mesmo local, evitando o contraste social. Com essas medidas, haverá a democratização do acesso ao cinema.