ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 19/04/2020
O conceito de democracia (igualdade de direitos) foi instituído primeiramente na sociedade grega
ateniense, em que Aristóteles disseminou o ideal de cidadão, mesmo esse sendo excludente para algumas camadas sociais da época. Analogamente, na presente vivência nacional, percebe-se também uma ruptura conceitual a favor da democratização do acesso ao cinema brasileiro, em detrimento desta atividade cultural não ser generalizada a toda população. Logo, os interesses capitalistas e o pequeno investimento estatal no cinema do país, são causas da problemática.
Em primeira análise, com a Revolução Técnico-Científica Informacional do século XX, houve um maior desenvolvimento dos sistemas de telecomunicação e tecnologia, o que, de fato, auxiliou na maior acessibilidade das informações e amostras culturais pelo mundo. Em contraposição, ainda hoje é notória a concentração do cinema do país em regiões favoráveis economicamente e, por consequência, lucrativas - capitais, cidades médias e grandes, metrópoles e megalópoles.Logo, os interesses capitalistas dificultam a democratização das práticas cinemáticas no Brasil, pois a população que não se encontra nesses locais atrativos financeiramente (como as cidades interioranas, por exemplo), acaba não sendo atendida culturalmente.
Outrossim, no processo de industrialização tardia brasileira (1950 - 1990), mudanças ocorreram nos modos de produção, visto que o êxodo rural intenso e a urbanização acelerada atuaram sobre as camadas sociais, dado os investimentos estatais aplicados em infraestrutura. No entanto, o setor cinematográfico brasileiro não sofreu tamanhos incentivos do Estado - o Brasil ocupa a posição de 60° na relação habitante por sala de cinema, segundo o fórum nacional. Então, muitos indivíduos não conseguem ter acesso devido aos poucos locais construídos e à custabilidade elevada dos ingressos, pois o governo decide investir minimamente nos cinemas nacionais.
Mediante o exposto, portanto, cabe ao Estado, em conjunto com as empresas do setor cinematográfico, disseminar os cinemas por todo o país, por meio da construção em cidades interioranas, de modo a negociar com as prefeituras locais, para que as pessoas não precisem se deslocar para regiões distantes e a concentração dos cinemas do Brasil, influenciada pelos interesses capitalistas, seja menos intensa. Ademais, o Ministério das Finanças e Previdência pode fornecer incentivos econômicos aos cinemas já existentes, por meio de negociações com o Executivo, no intuito de baratear o acesso a esta prática cultural, incluindo as diversas camadas sociais, e democratizar a acessibilidade aos cinemas do país. No fim, o conceito de democracia estaria seno melhor aplicado aqui na sociedade brasileira, diferentemente da grega.