ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 24/04/2020

Segundo o sociólogo britânico Thomas H. Marshall, a cidadania substantiva representa a expansão dos direitos sociais, civis e políticos para toda a população de uma nação. No entanto, ao analisar a escassez no processo de democratização do acesso ao cinema no Brasil, nota-se, assim, um país ainda distante dessa visão de cidadania. Isso é decorrente de um Estado negligente em suas ações, mas também é fruto de uma sociedade moldada pelo sentimento individualista.

Em primeiro lugar, é inegável observar que um dos mecanismos que impossibilita a democratização do acesso ao cinema no país, é a inoperância do Estado em frente a sua função de legitimar os direitos inerentes ao cidadão. Dado que, esse órgão permite que os interesses de mercado se sobressaem em relação as conquistas sociais, posto que, percebe-se, por exemplo, os elevados preço dos ingressos em comparação com a realidade socioeconômica da sua população. Mas também, na distribuição desigual desse meio cultural no território brasileiro, o qual se concentra, essencialmente, nos estados mais desenvolvidos do país. Dessarte, nota-se uma conjuntura que reverbera o pensamento da jornalista Adriana Vacênio, sobre a confusão de quem é cidadão e consumidor no Brasil, haja vista que a educação, a saude e, nesse caso, o lazer, apresentam-se como uma conquista pessoal e não como um direito social.

Ademais, essa problemática também se revela como fruto do individualismo que impera no tecido social. Uma vez que, ao analisar o contexto da falta de democratização do acesso ao cinema e apesar disso, observa-se o silenciamento da população diante dessa conjuntura, compreende-se, desse modo, o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman sobre como o egoísmo molda a sociedade atual. Posto que, esse afirmava que a ideia de progresso do homem hodierno transferiu de melhoria partilhada para a sobrevivência do eu. Diante disso, quando não há um olhar de sensibilização para melhorias sociais no seio da sociedade, nota-se como torna-se difícil a efetivação da cidadania substantiva.

Portanto, para que haja um ambiente que promova o acesso ao cinema de forma mais abrangente na sociedade, é imprescindível que o Estado, mediante ao poder legislativo, fomente políticas sociais embasadas na criação de cotas para a população de baixa renda, com objetivo que, esses cidadãos, assim, venham usufruir desse bem-social. Outrossim, cabe também ao governo oferecer incentivos fiscais as franquias de cinemas, a fim de que, essas se distribuam de forma mais igualitária no território brasileiro. E por fim, é necessário que o Ministério da Educação desenvolva programas que discutem sobre a importância de uma sociedade que se mobilize em prol do bem-estar social. Dessa forma, viabilizar-se-á a cidadania substantiva de Marshall e, por conseguinte, a democratização do cinema.