ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 25/04/2020
Na antiga civilização romana a arte, principalmente os espetáculos realizados teatralmente no Coliseu, tinha enorme peso sociocultural: através do drama ensinamentos eram passados e com a comédia correções de conduta eram realizadas. Entretanto, o acesso às exibições era extremamente exclusivo, somente homens ricos tinham acesso, para assistir ou atuar. Análogo a isso, atualmente, o cinema brasileiro é, infelizmente, uma das várias ferramentas marginalizadoras que permeiam a sociedade, revelando seu caráter elitista.
A priori, o Renascimento foi um movimento de retomada das características greco-romanas, principalmente no meio artístico, como forma de evoluir o intelecto e as perspectivas da sociedade europeia da época. Em contrapartida, quanto a sociedade tupiniquim, é perceptível a falta de incentivos à arte, tendo por consequência, o encarecimento da mesma por artistas que precisam obter sua fonte de renda em meio à desvalorização artística perpetuada na população brasileira. Dessa forma, o cinema e seu papel segregacionista são reflexos do descaso com as artes presente no país, ao elitizar a cultura cinematográfica há contribuição para restringir o acesso dos cidadãos à educação.
Ainda, no livro distópico “A Esperança” escrito por Suzanne Collins, a personagem Katniss Everdeen encontra-se em meio a guerra e, através de filmes produzidos por ela, passa ensinamentos para motivar e inspirar a população a continuar lutando para que a paz seja conquistada. Nesse cenário, fora da ficção, é indubitável o caráter educativo que as produções cinematográfica podem exercer com sua influência sobre a sociedade. Dessa forma, a necessidade de democratização do acesso ao cinema no país é fundamental para formar cidadãos cada vez mais intelectualizados, com acesso a cultura e educação, ainda que vivendo em uma sociedade extremamente marginalizadora.
Diante disso, mediadas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério da Cultura, em conjunto com o Ministério da Economia, deve propor a criação de uma carteira “cinema popular”, por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados. Tal carteira será disponibilizada aos cidadãos que a requisitarem e comprovarem possuir renda igual ou inferior a dois salários mínimos, e servirá para garantir ao portador dessa a entrada gratuita em até duas sessões de cinema por mês. Espera-se, com essa ação, a diminuição da desigualdade no Brasil e a consequente democratização da educação e cultura no país com o acesso da população aos cinemas.