ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 01/05/2020

“O pior mal é aquele visto como cotidiano”. A máxima da filósofa alemã Hannah Arendt aponta, de acordo com os seus estudos, a indiferença da sociedade frente a certos problemas. Nesse contexto, tendo em vista a pouca discussão sobre este impasse, é relevante destacar a democratização do acesso ao cinema no Brasil, que tem como principal obstáculo a exclusão de áreas periféricas por falta de recursos, resultando na limitação dos benefícios produzidos pelo cinema ao indivíduo. Logo, é preciso analisar a problemática, a fim de combate-la.

De início, cabe pontuar a disparidade no acesso ao cinema devido, em geral, à concentração desse tipo de estabelecimento em áreas centrais e ao baixo poder econômico de muitos cidadãos, o que dificulta a democratização dessa prática. Tal cenário é notório quando, por exemplo, o morador de um local periférico não possui condições para custear o transporte até o cinema e, também, o ingresso para assistir o que deseja. Esse fato se relaciona à divisão territorial do Brasil estabelecida pelo geógrafo Milton Santos, a qual é intitulada “ Quatro Brasis” e evidencia a desigualdade nacional com base em critérios científicos, tecnológicos e informacionais. Assim, vê-se como as diferenças confirmadas pelo geografo atuam contra um acesso equitativo ao cinema no país.

É válido ressaltar, ainda, que um dos principais efeitos dessa falta de democratização do acesso ao cinema é o baixo fomento no indivíduo de conhecimentos de outras áreas, diminuindo o pensamento crítico diante de acontecimentos no meio coletivo e na vida pessoal. Isso acontece porque, de acordo com o raciocínio do filósofo Theodor Adorno, o indivíduo só é capas de julgar sua conduta corretamente se tiver conhecimento do mundo. Essa ideia pode ser observada já que, com o cinema, o cidadão teria mais contato com diferentes culturas e histórias, estimulando o respeito e a tolerância no meio em que vive, por exemplo.

Desse modo, fica claro que a desigualdade em tal acesso provoca consequências no aprendizado pessoal e no convívio em sociedade. Percebe-se, portanto, a necessidade de promover a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Para isso, assiste ao Governo combater a disparidade de recursos entre áreas centrais e periféricas, por meio do fornecimento de incentivos fiscais as empresas que se estabeleçam em locais menos centralizados e de construção de cinemas em praça pública, com sessões realizadas periodicamente e em lugares estratégicos, no intuito de diminuir as diferenças apontadas na divisão de Milton Santos e, consequentemente, aumentar o acesso ao cinema e o conhecimento de mundo dos indivíduos. Sob tal perspectiva, essa problemática não será mais indiferente no Brasil, conforme o pensamento de Hanna Arendtt.