ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 10/05/2020

A construção dos feudos, muros que delimitavam uma determinada área no período da Idade Média, segregou milhares de pessoas e impossibilitou o acesso a bens que somente a nobreza podia usufruir. Semelhante a essa época, no contexto brasileiro contemporâneo, o cinema é um dos inúmeros meios de democratizar a cultura, mas ainda é “feudalizado”, já que grande parte da população continua alheia a esse serviço. Então, tanto a concentração das salas de teledramaturgia em regiões mais desenvolvidas economicamente, quanto os exorbitantes preços dos ingressos e alimentos, vendidos com exclusividade pela empresa proprietária, multilam a cidadania e consagram importantes simbologias de poder.

Nessa perspectiva, a cultura é imprenscidível para a identidade de um povo e, indubitavelmente, o cinema é uma fundamental ferramenta de inclusão e propagação de valores sociais. Entretanto, de acordo com o greógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Multiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação cultural do indivíduo, só é efetiva quando atinge a totalidade do corpo social, ou seja, na medida em que os direitos são universais e desfrutados por todos os cidadãos. Dessa maneira, a concrentração das salas de cinemas em áreas com alto desenvolvimento ecônomico e o alheamento de milhares de pessoas a esse serviço provam que não há democratização do acesso à cultura cinematográfica no Brasil, marginalizando grande parcela da sociedade desprovida de recursos financeiros.

Outrossim, os preços abusivos de ingressos, a divisão das salas em categorias de conforto e a proibição de entrada de bebidas e alimentos, que não sejam vendidos no estabelecimento, dividem, ainda mais, a sociedade. Isso pode ser explicado pelo teórico Pierre Bourdieu, o qual afirma que todas as minúcias de um indivíduo constituem simbologias que são constantemente analisadas pelo corpo social, isto é, o poder de compra, as características pessoais e o acesso a bens de serviços refletem quem é o homem para outrem. Dessa forma, o alto custo praticado pelas redes cinematográficas violenta simbolicamente aqueles que não conseguem contemplar as grandes telas e aumenta a desigualdade.

Portanto, cabe à iniciativa privada, em parceria com os estados e munícipios, promover a interiorização das salas de teledramaturgia, por meio da construção de novos empreendimentos em áreas distantes dos polos econômicos e da redução dos custos para o consumidor de baixa renda. Além disso, é responsabilidade da Ancine estabelecer um canal de comunicação mais efetivo com o telespectador, por intermédio de aplicativos. Como efeito social, fazer a democratização uma realidade.  realidade.