ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 11/05/2020
Na Idade Média, nas cidades-estado, era evidente a segregação entre as diferentes classes sociais, marcada pela soberania de cidadãos dotados de plenos direitos, que, apesar de serem a minoria, davam à sociedade o seu caráter aristocrático e oligárquico. Análoga a isso está a atual situação do Brasil, em relação ao acesso a diversas atividades, bem como as que proporcionam o lazer. Nessa perspectiva, no século XX, com a Terceira Revolução Industrial, em meio ao desenvolvimento Técnico-Científico-Informacional, houve a evolução dos meios de comunicação e, entre eles, o cinema. No entanto, mesmo sendo importante para a sociedade, o cinema tem o seu acesso restrito no Brasil. Certamente, isso ocorre devido à alta desigualdade social e afeta o desenvolvimento da população.
Em primeiro lugar, é importante ressaltar as consequências da desigualdade social no País. Nesse contexto, considerado, em 2019, pela Organização das Nações Unidas, ONU, um dos dez países mais desiguais do mundo, o Brasil tem a maioria da sua população pertencente às camadas mais baixas da sociedade. Dessa forma, essa realidade evidencia a dificuldade de acesso a instituições que fornecem à população o lazer e a educação, visto que esses estabelecimentos estão concentradas nas regiões mais privilegiadas do País, como em zonas urbanas e bairros nobres. A exemplo disso, segundo a Ancine, Agência Nacional do Cinema, menos de 20% da população brasileira frequenta o cinema.
Além disso, vale salientar os efeitos da restrição do acesso ao cinema na sociedade brasileira. Nesse sentido, a privação do acesso ao cinema é, decerto, uma restrição do acesso à educação, haja vista que ele é um veículo comunicativo responsável pela transmissão de história, cultura e conhecimento. Nesse cenário, em 1904, cidadãos que não tiveram acesso à informação não tinham o entendimento de como a vacina poderia salvar suas vidas em meio à epidemia e, por isso, resistiram a essa ferramenta, eclodindo, assim, a Revolta da Vacina, que causou centenas de mortos e feridos. Dessa maneira, fica explícita a importância do acesso da população ao cinema, como meio de comunicação.
Em síntese, o cinema, embora seja importante ao desenvolvimento social, é restrito a uma parcela da população brasileira. Portanto, cabe às Secretarias de Cultura, por meio de investimento financeiro, construir cinemas nas áreas menos privilegiadas dos estados, bem como zonas rurais e periferias urbanas, a fim de aumentar o número desses estabelecimentos e, como consequência, o seu acesso. Ademais, os Governos Estaduais, com o auxílio do Ministério da Educação, MEC, devem, mediante programas de inclusão social, fornecer à população de baixa renda ingressos a preços acessíveis a ela, com o intuito de ampliar seu acesso ao cinema e, também, à educação. Assim, com essas medidas, espera-se proporcionar a democratização do acesso ao cinema no Brasil.