ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 12/05/2020

A área cinematográfica embora dotada de significativa importância social, é pouco propagada no Brasil. De fato há recursos para a sustentação dessa arte, no entanto esses são mal empregados; já que embora existam muitos filmes e produções nacionais, são poucos os brasileiros que os podem assistir. O que se deve, como dito, a má distribuição de recursos financeiros que culmina no maior desafio dos indivíduos que desejam frequentar os cinemas: o restrito número de salas.

Atualmente, segundo a Agência Nacional de Cinema (ANCINE) existem apenas 2200 salas de cinema no país o que corresponde a aproximadamente 1sala para cada 75000 pessoas. Tal indisponibilidade de ambientes revela que os gasto da ANCINE estão mais voltados para a produção cinematográfica que para sua exibição, o que é incongruente, já que a seletividade de público interfere diretamente na rentabilidade das obras e na democratização do acesso a elas; ou seja, o que é produzido com dinheiro público deve ser voltado a ele.

A importância social da sétima arte está além do entretenimento, pois essa é instrumento de representatividade. Todo filme, independentemente do gênero, tem por objetivo a identificação do público com aquilo que é exibido, seja por meio da representação individual, social, racial, de causa ou de grupo. A exibição cinematográfica empodera aquele representado, incluindo-o socialmente, a exemplo das produções Pantera Negra e Bacurau; o primeiro de origem estrangeira fez sucesso ao favorecer a imagem da população negra, já a segunda é uma obra nacional que embora tenha sido aplaudida numa premiação internacional falhou no seu papel representativo, já que aqueles representados, nordestinos, em suma maioria não tiveram a oportunidade de assisti-la.

Assim sendo, fica comprovada a necessidade da democratização do acesso ao cinema no Brasil, que só será possível com a redistribuição dos recursos da ANCINE e de um projeto de incentivo a iniciativa privada. É preciso portanto oportunizar a construção de cinemas, por meio da doação de espaços dos municípios para isso; cada cidade deverá disponibilizar um ou mais terrenos _ de acordo com a demanda populacional. Além disso, cabe ao Governo Federal isentar de impostos por um ou dois anos os cinemas inaugurados a partir de uma data pré-estabelecida, a fim de incentivar ainda mais a construção de novas salas. E por fim, a ANCINE deve ajudar com o financiamento de cinemas públicos, que garantam a gratuidade de estudantes e idosos mas também preços acessiveis à população. Tudo isso garantirá uma solução ao problema proposto.