ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 13/05/2020
O início do século XX foi marcado por uma gama de modificações nos campos tecnológico e cultural que englobou diferentes aspectos do convívio social, incluindo o entretenimento. O surgimento do cinema ampliou essa concepção de tal maneira que logo ele passou a ser considerado a “sétima arte” pelos críticos da época. Entretanto, atualmente, o acesso ao universo do cinema tornou-se limitado devido às desigualdades sociais e aos novos padrões tecnológicos surgidos no século XXI.
Em primeira análise, verifica-se que, no Brasil, as regiões Norte e Nordeste são as que possuem o menor número de salas de cinema. Além disso, essas salas estão situadas nas grandes cidades, geralmente nas capitais, onde a renda per capita da população é maior, o que, por sua vez, estabelece uma relação socioeconômica dos indivíduos aos meios de lazer e entretenimento, excluindo os mais pobres; conforme dados recentes da Agência Nacional de Cinema.
Outro viés a ser analisado diz respeito ao surgimento de plataformas multimídias nos últimos anos. A exemplo da Netflix, tais canais geram conteúdo audiovisual de excelente qualidade que pode ser explorado pelo consumidor no conforto do seu lar a um custo reduzido se comparado ao cinema regular.
Diante do que foi exposto, faz-se mister a adoção de medidas que garantam o acesso igualitário da população ao cinema. Portanto, além do incentivo às políticas públicas no campo social visando diminuir as desigualdades, o Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, poderia estimular a corresponsabilização da iniciativa privada, sobretudo da indústria cinematográfica, com a isenção de impostos a fim de reduzir o valor do ingresso e, consequentemente, aumentar o público nas salas de cinema. Desse modo, os entraves que limitam o acesso dos menos favorecidos seriam reduzidos e o cinema voltaria a crescer no país.