ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 14/05/2020
Projetando o cinema para todos os brasileiros
Cenas do filme “Lisbela e o prisioneiro” narram a chegada do protagonista Leléu no interior de Pernambuco. Com o seu carro de som ele convida os moradores locais para, ao cair da tarde, assistirem a um filme sobre a vida dos santos católicos que, ele mesmo, irá projetar no salão da Igreja Matriz, na praça central da cidade. De maneira análoga à história fictícia, depreendemos que o acesso ao cinema, no Brasil, já foi mais democrático e hoje enfrenta problemas no que diz respeito à exclusão de parcelas sociais menos favorecidas. Logo, pode-se afirmar que a postura do Estado, em relação a cultura e a negligência das empresas que trabalham com cinema, contribuem para esse cenário negativo.
Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, a ausência de políticas públicas suficientemente efetivas para democratizar o acesso ao cinema no país. Não há ações do Ministério da Cultura para promover a aproximação de classes pouco privilegiadas ao mundo dos filmes, como a distribuição de ingressos em instituições públicas de ensino básico e passeios escolares a salas de cinema. Desse modo, o Governo atua como agente no processo de exclusão da população mais pobre a esse tipo de entretenimento. Logo, faz-se necessário a mudança desse quadro.
Também deve-se pontuar que, a negligência de empresas do setor cinematográfico, colaboram para dificultar a democratização do acesso ao cinema no Brasil. Por causa, principalmente, da postura capitalista de grande parte dos empresários desse segmento, que priorizam os gastos financeiros em detrimento do impacto cultural que o cinema pode exercer sobre uma comunidade. Dados estatísticos apontam para o crescimento de salas de cinema em regiões metropolitanas com renda alta. Consequentemente, a população de baixa renda fica impedida de frequentar estes espaços.
É necessário que o Ministério da Cultura debata entre o Estado, sociedade civil e ANCINE, um plano que leve o cinema ao maior número possível de brasileiros. Tal plano deverá, principalmente, destinar certo percentual de ingressos para pessoas de baixa renda e estudantes de escolas públicas, oferecimentos de incentivos fiscais para empresas cinematográficas para a redução do custo de ingressos, estimular comércios de povos afastados onde, na compra de um produto o cliente pode assistir à um filme e incluir trabalhos itinerantes de profissionais do cinema como o personagem Leléu vivenciado em “Lisbela e o prisioneiro”.