ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 21/05/2020

Verificar os indicados ao Oscar. Aguardar a próxima produção do Tarantino. Conferir a crítica sobre o último campeão de bilheteria. Esses e outros hábitos revelam que a sétima arte tomou uma proporção muito além do “sentar e assistir”. A paixão pelo cinema gera um engajamento que tem movido toda uma cultura. Contudo, apesar do alto crescimento, no Brasil, ainda há uma grande parcela da população à margem dessa experiência. Os motivos vão da falta de um local direcionado a essa atividade em suas cidades até o preço abusivo dos ingressos.

É importante avaliar, então, o impacto desse entretenimento na sociedade. Pois, além de uma forma de lazer, o cinema gera conhecimento, interação social, manifestação cultural e emprego. Prova disso, é que um filme como Amistad, por exemplo, pode ser usado como recurso por professores de História para envolver os alunos em discussões sobre a matéria. Enquanto, em outros corredores, psicólogos debateram os transtornos psicológicos abordados em Coringa. Logo, permitir que grupos continuem impedidos de desfrutar desse meio reforça os abismos sociais já existentes e cria novos. Visto que, os tais estão restritos a gama de comportamentos e experiências que entornam essa atividade.

Sendo assim, é inadmissível que o direito constitucional ao acesso a cultura seja elitizado em algumas vertentes. É fato que existem outras formas de assistir a filmes - a TV sempre foi uma aliada nessa concessão e, com a internet, surgiram serviços de Streaming. Porém, não se pode afirmar que há igualdade legislativa em uma nação que se apoia nesses paliativos para permitir uma limitação cultural. O Brasil só possui 3500 salas de cinema, e esse número está longe de contemplar toda a população, dado que a maioria fica nos grandes centros urbanos e em áreas mais abastadas. Ademais, eventos e plataformas de contato entre fãs, direcionou o mercado a criar produtos baseados no universo cinematográfico, resultando em mais atividades excludentes para os não contemplados com a primeira.

Dessa forma, é notório que democratizar o acesso ao cinema no Brasil é uma necessidade. Assim, o Ministério da Cidadania deve investir no aumento do número de salas. E, para essa distribuição ser democrática, é preciso contemplar a construção em áreas periféricas e cidades que não possuem tal recurso. Além disso, garantir preços mais populares dos ingressos para os cidadãos de baixa renda. Assim, será possível fornecer a todos, independente do seu nicho social e localização geográfica, o mesmo nível de desfrute dos seus direitos. Em paralelo, as escolas podem promover idas coletivas de seus alunos ao cinema. Aproveitando temáticas de filmes para discutir algumas disciplinas. Desse modo, aumentará o engajamento sociocultural e educativo dessas gerações, além de continuar incentivando a apreciação dessa arte por todos os grupos.