ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 25/05/2020

Na produção cinematográfica “Tropa de Elite 2”, Wagner Moura interpreta a personagem “Capitão Nascimento”, que, durante a narrativa, expõe a corrupção e violência praticada pelas milícias do Rio de Janeiro. Tal filme possui uma grande importância sociocultural para o Brasil, já que, por meio da “telona”, exibiu uma dura realidade desconhecida por parte dos brasileiros. Entretanto, a falta de cinemas no Brasil limita o acesso da população a filmes de grande relevância como “Tropa de Elite 2”, criando uma barreira geográfica e econômica à sétima arte.

De fato, a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil é indiscutível, já que menos de um quinto da população brasileira frequenta o cinema, fato agravado quando se faz uma analise regional, observando que tal número decai em regiões como o Norte e Nordeste. Ademais, o acesso ao cinema ainda é dificultado para as classes mais pobres, já que a maioria das salas cinematográficas se encontram em shoppings de regiões nobres, o que seleciona os consumidores e omite parte dos brasileiros ao acesso de conteúdos culturais.

Além disso, cerca de um terço das sessões de cinema são legendadas, o que impossibilita o acesso de analfabetos e dificulta o de crianças e idosos à sétima arte, deixando-os excluídos dessa atividade, o que vai de encontro à Declaração dos Direitos Humanos, que prevê acesso cultural a todos os cidadãos, independente de recursos acadêmicos. Fato que é ignorado pelo Governo Federal, que, em 2019, transformou o Ministério da Cultura em Secretaria Especial, o que limita seu orçamento e abrangência e diminui os incentivos às produções cinematográficas nacionais.

Vistas todas as questões anteriores, é nítida a dificuldade do acesso ao cinema no Brasil, que segrega a população de acordo com sua posição financeira, educacional e geográfica. Sendo assim, o Governo Federal em conjunto à Secretaria da Cultura devem criar um programa de cinema itinerante que exiba obras cinematográficas em regiões carentes e sem salas de cinema, tais obras serão, preferencialmente, nacionais. Com isso, o acesso ao cinema será ampliado, o que garante uma maior informação cultural, além de fomentar a industrial local com obras nacionais.