ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil

Enviada em 26/05/2020

A construção dos feudos, muros que delimitavam uma determinada área no período da Idade Média, segregou milhares de pessoas e impossibilitou o acesso à bens que somente a nobreza podia usufruir. Hodiernamente, existem situações análogas ao feudalismo moderno, como a falta de democratização do acesso ao cinema no Brasil, cujo serviço está disponível apenas para pessoas privilegiadas. Nesse contexto, não há dúvidas de que socialização do cinema é um desafio no país, o qual ocorre devido não só devido à negligência governamental, mas também aos exorbitantes preços cobrados pelas salas que exibem a sétima arte.

Nesse cenário, a Constituição Cidadã de 1988, garante a todos os brasileiros, sem distinção, o acesso ao lazer. Sendo assim, de acordo com o de acordo com o geógrafo Milton Santos, no texto “Cidadanias Mutiladas”, a democracia, extremamente necessária para a fundamentação cultural do indivíduo, só é efetiva quando atinge toda a sociedade. Dessa maneira, a disponibilização de salas de cinema em áreas com alto desenvolvimento econômico prova que não há democratização do acesso ao cinema no Brasil, marginalizando grande parcela da sociedade desprovida de recursos financeiros. Isso demonstra que a lei permanece apenas no papel.

Ademais, os preços abusivos praticados pelas salas de cinema, agregado ao alto valor dos lanches ofertados por elas, dividem, ainda mais, a sociedade. Isso pode ser explicado pelo teórico Pierre Bourdieu, o qual afirma que todas as minúcias de um indivíduo constituem simbologias que estão constantemente analisadas pelo corpo social, isto é, o poder de compra, as características pessoais e o acesso a bens e serviços refletem quem é o homem para outrem. Dessa forma, o alto custo praticado pelas salas de cinema violenta simbolicamente aqueles que não conseguem contemplar esse serviço e aumenta a desigualdade.

Portanto, cabe ao Governo - órgão máximo do poder executivo - promover a interiorização de acesso ao cinema no Brasil, por meio da construção de infraestrutura em áreas distantes dos polos econômicos e da redução dos custos para o consumidor de baixa renda, incentivando, então, a cultura cinematográfica mais democrática. Além disso, é responsabilidade do Ministério da Ciência e Tecnologia, estabelecer um canal de comunicação mais efetiva com o consumidor, por intermédio de aplicativos e das redes sociais, como Facebook, para que denúncias e reclamações sobre preços abusivos possam ser realizadas. Como efeito social, a democratização do acesso ao cinema no Brasil será uma realidade, destruindo, assim, barreiras e “feudos” sociais".