ENEM 2019 - Democratização do acesso ao cinema no Brasil
Enviada em 18/06/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a carta dos Direitos Humanos concebia a igualdade de acesso à cultura e ao bem-estar para todos os cidadãos. Contudo, dificuldades no que se refere ao contraste financeiro e à sociedade moderna fizeram com que, nas últimas décadas, parte da população brasileira fosse marginalizada do acesso ao cinema. Nessa perspectiva, medidas devem ser tomadas para que esse desafio possa ser superado e um conjunto social mais íntegro possa ser alcançado.
Primeiro, é importante ter em conta que a democratização da cultura é um dos pilares de qualquer país socialmente desenvolvido. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional pensar que o Brasil se dedica arduamente para investir na área do cinema público. Conquanto, o governo não tem dado a devida importância para tal área e o resultado é refletido na dificuldade do ingresso às salas de exibições cinematográficas, principalmente pelos mais carentes. Prova disso é que no ano de 1975 o Brasil possuía um número de cinemas equivalente à um para 30.000 habitantes, e atualmente são poucos mais de 2.000 por indivíduo, segundo dados da Ancine. Diante do exposto, fica claro como a igualdade de direito ao acesso têm sido prejudicado, o que é preocupante.
Faz-se mister, ainda, salientar que o molde da sociedade moderna contribui para as mudanças observadas. Bauman, filósofo polonês, descreve a atual população mundial como sendo “líquida”, ou seja, rápida e moldável. Sendo assim, entende-se a criação de alguns aplicativos, como o “Netflix”, que possibilitam o acesso instantâneo à diversos filmes e documentários por um baixo custo. Dessa maneira, grande parte da população antes prejudicada pela falta de equidade de ingresso aos cinemas têm aderido à essas plataformas. Prova disso é que 88% dos telespectadores assistem à filmes na tv, o que mostra a intensificação da troca para com as casas de filme.
Fica claro, portanto que as dificuldades do acesso ao cinema são problemáticas advindas da falta de investimento do Estado e intensificadas pela modernidade líquida. Sendo assim, urge que o governo, como instância máxima da administração executiva, crie impostos, sendo eles mensais, para que fundos sejam destinados para investimentos nos cinemas, de modo que uma maior parte da população tenha à cultura. Logo, incentivos seriam gerados no corpo social, e assim, voltariam a frequentar as salas de exibição, fazendo com que uma sociedade mais íntegra seja alcançada.